No mês em que é celebrado o Dia da Mulher, a Rede Nacional de Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura, uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Formação, Livro e Leitura (Sefli), apresenta cursos e formações voltados para o empoderamento feminino. Um destaque para a força das mulheres e da importância de cada uma delas nas artes, na criatividade e na criação. As entidades, espalhadas por todo o Brasil, oferecem formações diversas em defesa pessoal para mulheres, em escrita criativa e literária e um concurso literário, além de oficinas de dança, de gastronomia, de circo, entre outros.
“Essas iniciativas da Política Pública de Formação em Arte e Cultura da Sefli representam um poderoso motor de transformação social nos territórios para esse público ao promoverem acolhimento, faixa etária variada, identidade étnico racial, tradição cultural, fortalecimento, desenvolvimento sustentável, diversidade cultural e a autonomia feminina, promovendo não apenas formação profissional, economia da cultura, além do empoderamento feminino”, afirma Rivany Beu, coordenadora de Formação Técnica e Profissional em Cultura do Ministério da Cultura.
Conheçam algumas das 68 organizações da sociedade civil que atuam com formação para o público feminino:
Instituto Afrolatinas
Foto: DC Comunicação
Novidade para o mês de março, o lançamento do 1º Concurso Literário nas escolas com o tema: “Mulheres Negras Movem o Mundo”. A iniciativa, da Universidade Afrolatinas, tem como objetivo reconhecer e celebrar o impacto das mulheres negras na sociedade, nas famílias brasileiras, na cultura, na economia, na política e nas ciências. As inscrições seguem até o dia 21 de maio, a formação é online, e direcionada para estudantes matriculados em escolas públicas do Distrito Federal.
Esse tema convida à reflexão sobre o poder da presença, da voz e das ações das mulheres negras, destacando suas conquistas, desafios e a urgência de garantir que suas histórias sejam contadas e reconhecidas. Mais do que um reconhecimento, é um chamado à transformação: o mundo se move também porque as mulheres negras o movimentam. Historicamente, as mulheres negras desempenharam papéis centrais nas sociedades, sustentando comunidades, liderando processos de resistência e criando soluções inovadoras em cenários de adversidade nas periferias.
Instituto Abrapalavra
Foto: Igor Cerqueira
A ELENA – Escola Livre de Estudos da Narração Artística abre inscrições para o curso “Literatura Feminina: Escrita Criativa para Mulheres Migrantes”, uma formação gratuita voltada para mulheres migrantes que vivem em Belo Horizonte e na região metropolitana. O curso propõe um espaço de acolhimento e expressão, onde a escrita literária se torna um caminho para reivindicar cidadania e fortalecer laços com a língua portuguesa. O período de inscrições segue entre os dias 01 e 11 de abril.
A proposta do curso é abordar o repertório da literatura brasileira escrita por mulheres, trazendo autoras que, assim como as participantes, enfrentaram desafios de deslocamento e identidade. Além da leitura, o curso convida as mulheres migrantes a escreverem suas próprias narrativas e a experimentarem diferentes estéticas textuais, por meio de técnicas de escrita que expressem suas vivências. A formação será ministrada por professoras brasileiras e migrantes, em cinco encontros presenciais na ELENA, que faz parte da Rede Nacional das Escolas Livres.
Mais informações: acompanhe as redes sociais da Escola
Instituto Pró-Cidadania (IPC)
Foto: HEIC
Dentre as ações realizadas pelo Instituto Pró-Cidadania (IPC), o curso “Sabores Afro-Brasileiros” é uma das principais iniciativas do projeto Arte e Cultura em Movimento. O curso tem como missão capacitar mulheres na área da gastronomia, resgatando a riqueza da culinária afro-brasileira e promovendo autonomia e geração de renda.
Mais do que ensinar receitas, essa formação busca fortalecer a relação entre gastronomia, cultura e espiritualidade, promovendo o reconhecimento da influência das matrizes africanas na culinária brasileira. Para celebrar essa herança, no dia 21 de março, data em que se comemorou o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé (Lei Federal nº 14.519/23), o curso lançou uma receita emblemática: a feijoada. Fortemente ligada à ancestralidade africana, a feijoada está associada ao orixá Ogum, símbolo da força, da agricultura, do ferro e da renovação. A tradição de oferecer esse prato ao orixá guerreiro foi transmitida por meio da oralidade, tornando-se um ritual sagrado em dias de celebrações nos terreiros.
As primeiras receitas do curso – Feijoada e Munguzá – já estão disponíveis para todo o território nacional através do canal no YouTube, permitindo a democratização do acesso ao conhecimento e ampliando o alcance das Escolas Livres na formação de mulheres para todo país.
Cia Cata-Ventos de Cultura
Foto: Williane Brito e Romário Feitosa
A Escola Livre de Arte e Cultura Beija-Flor empodera mulheres de Rio Branco com Oficina de Defesa Pessoal. Elas terão a oportunidade de se capacitarem na Oficina de Defesa Pessoal para Mulheres, um projeto que visa fortalecer a autoconfiança e a segurança feminina por meio de técnicas práticas de autodefesa.
A iniciativa oferece um espaço de aprendizado acessível e dinâmico, capacitando mulheres de todas as idades a enfrentarem desafios do dia a dia com mais preparo e segurança.
Durante as aulas, as participantes terão acesso a conteúdos que vão além das técnicas físicas, abordando também postura, estratégias para lidar com situações de risco e o fortalecimento da autoconfiança. A oficina busca proporcionar um ambiente de acolhimento e troca de experiências, incentivando a sororidade e o empoderamento feminino. A organização destaca a importância de iniciativas como essa para a construção de uma sociedade mais segura e igualitária.
Mais informações: no telefone (68) 9213-4242
Instituto Cultural e Esportivo Maktub
Foto: Mara Lima
O Instituto Cultural e Esportivo Maktub celebra a força feminina nos resultados alcançados no Curso Livre de Danças Étnicas em Jaguarão – Horizontes Ampliados. A iniciativa foi um espaço de aprendizado, inclusão e valorização das mulheres na dança, promovendo a diversidade cultural e a autonomia feminina.
Com um público predominantemente de mulheres, o curso ofereceu formação livre em danças pampeanas, árabes e ciganas – expressões artísticas que carregam histórias de resistência, identidade e empoderamento. As participantes não apenas aprenderam a parte técnica, como também exploram suas raízes históricas e culturais, promovendo o reconhecimento do corpo como ferramenta pedagógica de expressão e liberdade, trazendo novos olhares para a interculturalidade fronteiriça e suas características territoriais diferenciadas e multifacetada.
Para muitas alunas, o Curso Livre de Danças Étnicas pode ser considerado um divisor de águas, fortalecendo a autoestima, promovendo o intercâmbio cultural e criando redes de apoio entre mulheres. Em um ambiente onde a arte é aliada da transformação social, a dança se torna um instrumento de fortalecimento e resgate da identidade cultural local.
O Instituto Maktub formou 20 mulheres no CLDE e capacitou de forma avulsa em aulas e oficinas mais 62 mulheres (dos 6 a 60 anos). Atualmente uma está em formação superior em dança e temos uma trabalhando como instrutora de folclore gaúcho-latino e outra como estagiária em folclore árabe, reafirmando o papel da dança na valorização das mulheres e na construção de uma sociedade mais diversa e igualitária
Associação Indígena Berê Xikrin da ti Bacaja:
Foto: Helena Cristina Dias
O projeto Menires, um marco de empoderamento e desenvolvimento sustentável para as comunidades Xikrin do Médio Xingu, está concluindo suas atividades com resultados impactantes. Abrangendo diversas áreas de capacitação, a iniciativa, demonstrou o poder da cultura e do conhecimento tradicional como ferramentas de transformação social e econômica.
Um dos destaques do projeto foi a oficina de biojoias, que reuniu mulheres da Associação Berê Xikrin para fortalecer suas habilidades no manejo de sementes, fibras e outros elementos naturais. A capacitação em técnicas de produção, design inovador e comercialização, ministrada por especialistas, não apenas valorizou o saber ancestral das “menires” (mulheres Xikrin), mas também abriu portas para novas oportunidades de geração de renda.
Paralelamente, a oficina de corte e costura ofereceu às participantes a chance de aprimorar suas habilidades em confecção, explorando a riqueza dos materiais e padrões tradicionais Xikrin. Ao reconhecer o papel fundamental das mulheres Xikrin na economia e organização social, o projeto impulsionou o empoderamento feminino e o protagonismo das “menires” na construção de um futuro mais próspero e equitativo para suas comunidades. A iniciativa também contribuiu para a preservação da cultura Xikrin, incentivando a produção de artesanato e biojoias com técnicas sustentáveis e materiais provenientes da floresta.
Mais informações: xikrinbere@gmail.com – contato@ecooa.com.br
Casa de Barro Ações Culturais
Foto: divulgação
Mais do que um espaço de formação, a Escola Àbámodá é um movimento de transformação social, voltado especialmente para mulheres, com um olhar para o fortalecimento da autonomia financeira e identidade cultural de afrodescendentes.
Fundada a partir da vivência de mulheres em situação de vulnerabilidade, a Escola nasceu no Recôncavo Baiano como um espaço de acolhimento, formação e geração de oportunidades para aquelas que encontram na moda uma ferramenta de emancipação e resistência.
Com uma metodologia sistêmica e cadenciada, a Escola Àbámodá atua desde a capacitação técnica até a inserção de suas participantes no mercado de trabalho e empreendedorismo. A formação passa por um ciclo que envolve aprendizagem técnica, incubação de negócios, comercialização e divulgação, além da participação em eventos e feiras que potencializam a visibilidade e a geração de renda.
Nesse contexto, Àbámodá se estrutura para garantir suporte real e efetivo, promovendo não apenas formação profissional, mas também articulação de mercado e redes de apoio entre mulheres. Inspirada nas Irmandades Negras – como a Irmandade da Boa Morte, que historicamente atuou na luta pela liberdade e fortalecimento das comunidades pretas –, a Escola se posiciona como um espaço de resgate, pertencimento e autonomia. O projeto se expande também para além da formação, consolidando-se como um negócio social sustentável, com a criação de uma marca de moda em 2025, garantindo oportunidades concretas para suas participantes.
Mais informações: Instagram e WhatsApp: (73) 9866-2998
Grande Circo Arraial
Foto: Eulália Lins
O projeto Mostra Delas para o Mundo – A Força Feminista da Arte Circense IV Edição, apresenta o trabalho das mulheres, artistas circenses, de várias modalidades das artes do circo, e o poder que esse fazer artístico tem para cada uma das mulheres circenses que participaram, quanto para o mundo do circo.
A Mostra Delas para o Mundo – A Força Feminista da Arte Circense, amplia a visibilidade do trabalho que as mulheres, artistas circenses, produtoras e técnicas, cis, lésbicas e trans, ampliando o movimento feminista no meio circense, discutindo sobre políticas públicas nas artes para as mulheres fortalecendo nosso envolvimento na luta pelos direitos das mulheres e nas ações feministas.
O projeto tem mostrado o trabalho das mulheres, artistas circenses, de várias modalidades das artes do circo, e o poder que esse fazer artístico tem, tanto para cada uma das mulheres/circenses que participaram, quanto para o mundo do circo, como também para o Movimento Feminista e para fortalecer o nosso trabalho, a nossa forma de fazer e viver da arte circense.
As Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura foram selecionadas em 2023, via edital, organizadas em rede, e atuam em variadas linguagens da arte e da cultura. São instituições que estão desenvolvendo tecnologias socioculturais e educativas, experiências e práticas, gerando impactos sociais nos territórios onde atuam.
Há hoje 68 Escolas Livres em atuação e já é possível perceber o desenho de uma diversidade na partilha do saber, com vivências múltiplas e comunitárias, experiências vivas, calcadas nos territórios.
“Não há educação sem cultura. Ambas caminham em nossas vidas e devem andar juntas como políticas integradas. Dessa confluência, temos uma diversidade de espaços formativos que oferecem à sociedade civil atividades, por exemplo, em teatro, dança, circo, literatura, música, audiovisual, artesanato, culturas populares, afro-brasileiras e indígenas”, afirma o secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba.