Em julho, equipe econômica projetava IPCA a 5,9%; expectativa está bem acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3,75%

O governo federal manteve a previsão da expansão da economia brasileira em 2021 e alterou para cima as expectativas com a inflação, segundo dados do Boletim Macrofiscal divulgados nesta quinta-feira, 16, pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 5,3%, o mesmo número publicado na edição de julho. Para o ano que vem, a equipe econômica espera avanço de 2,5%. “A manutenção da projeção do ano corrente se deve à continuidade da retomada econômica que vem ocorrendo, como mostram os indicadores coincidentes de atividade. No resultado do segundo semestre do corrente ano, espera-se uma importante contribuição do setor de serviços ao crescimento econômico”, informou a pasta. O mercado financeiro reduziu a estimativa do PIB em 2021 para avanço de 5,04%, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 13. Há uma semana, a previsão apontava alta de 5,15%. As estimativas para 2022 também foram alteradas para baixo, passando de 1,93% para 1,72%.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira, o Ministério da Economia projeta avanço de 7,9% em 2021. No Boletim Macrofiscal divulgado em julho, a previsão era de 5,9%. O número está acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 5,25%, com centro de 3,75% e piso de 2,25%. De acordo com a equipe econômica, a alta é puxada pelo avanço dos itens monitorados. “No acumulado em 12 meses até agosto, esse grupo registrou aumento de 13,69%. Esse aumento é decorrente de elevações significativas nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, diante dos reajustes no preço do gás e das alterações nas bandeiras tarifárias, respectivamente.” A escalada da inflação levou o mercado a prever a inflação a 8% em 2021. Há uma semana, as previsões apontavam avanço de 7,58%. A inflação foi a 0,87% em agosto — o maior salto em 21 anos —, e acumulou alta de 9,68% nos últimos 12 meses. Para 2022, a SPE estima que o IPCA feche com alta de 3,75%. Em julho, a previsão apontava avanço de 3,5%. Os analistas do mercado também mudaram para cima a estimativa do IPCA do próximo ano para 4,03%, ante projeção de 3,98% na semana passada. Para 2022, a autoridade monetária nacional persegue a meta de 3,5%, com variação entre 2% e 5%. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), considerado a inflação dos mais pobres, foi elevada para 8,4%, ante 6,2% na estimativa de julho. Em agosto, o indicador avançou 0,88%. O índice, que também é usado como referência para reajustes do salário mínimo e benefícios do INSS, acumula, no ano, alta de 5,94%, e em 12 meses, de 10,42%.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira, 14, que a autoridade monetária vai levar a Selic para onde for necessário para cumprir a meta da inflação, mas que o “plano de voo” não será alterado a cada nova divulgação de dados econômicos de alta frequência. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na semana que vem para debater a taxa básica de juros da economia. Em agosto, o BC elevou a Selic para 5,25% ao acrescentar 1 ponto percentual. Em nota, a autoridade monetária sinalizou novo aumento da mesma magnitude. A alta da inflação, no entanto, levou analistas a preverem alta mais robusta, na casa de 1,25 ponto percentual. “A gente tem um instrumento que vai ser usado na forma que precisa ser usado. Nós entendemos que podemos levar a Selic até aonde precisar para ter convergência da meta [de inflação]. Isso não significa que o Banco Central vai reagir a cada dado de alta frequência”, disse o presidente da instituição.