A Diretoria da Santa Casa Rondonópolis criticou o prefeito do município, José Carlos do Pátio (Solidariedade), por ainda não ter respondido sobre um pedido de contratação de dez novos leitos de UTI para pacientes com Covid-19.

Segundo o vice-presidente da unidade, Sinésio Alvarenga, pacientes podem morrer no local por falta de UTI. Atualmente, 30 pessoas aguardam por um leito deste tipo no município.

Para ele, até mesmo os dez leitos solicitados serão insuficientes por conta da alta demanda de casos no município.

“Não podemos mais esperar. Há muitos na fila à espera de um leito de UTI. Os números nos mostram que dez leitos são insuficientes e esta situação não se resolverá nos próximos meses. Tornando-se realidade, os dez leitos da Prefeitura e os 20 prometidos ao Hospital Regional, ainda não serão suficientes para atender a demanda”, disse.

“Muitos morrerão por falta de UTI, como ocorreu em julho, agosto e setembro de 2020”, acrescentou.

De acordo com a diretoria da unidade, a proposta de novos leitos foi enviada em 19 de março a Pátio. Isso porque, no dia anterior, a Santa Casa recebeu um ofício da Secretaria Municipal de Saúde questionando a viabilidade de abertura imediata dos novos leitos.

Em resposta, a diretoria do hospital informou ter condições estruturais, além dos profissionais de saúde necessários para a manutenção dos serviços, mas que não tinham recursos financeiros para atender a demanda de criação dez novas UTIs.

Desta forma, que elaboraria um cronograma físico-financeiro com data de abertura, orçamento de equipamentos, medicamentos e recursos para a manutenção dos serviços.

O documento, enviado ao prefeito no início do mês, informava que, devido a escassez de insumos e medicamentos no mercado, os leitos só poderiam ser abertos após 30 dias da formalização dos pedidos junto aos fornecedores.

Também, que a administração teria a possibilidade de adiantar os valores para aquisição dos equipamentos, sendo respiradores, monitores, bombas de infusão, dentre outros, que representam um investimento de pouco mais que R$ 2,3 milhões, valor garantido pelos fornecedores até o dia 22 de março.

Bem como, fornecê-los por comodato, onde, desta forma, seria necessário o repasse de R$ 200 mil para as adequações físicas e instalações de mobiliários.

Atrasos de repasses

Segundo a direção da Santa Casa, por conta de atrasos constantes da Prefeitura, referentes aos repasses de pagamentos por serviços prestados, o hospital solicitou do secretário de saúde o pagamento antecipado de três meses das diárias contratadas, tendo como base a tabela aplicada pelo SUS.

Após a formalização da proposta, passou a aguardar a resposta do gestor da saúde.

De acordo com Sinésio, a direção da unidade alertou sobre a necessidade de mais leitos ainda em 2020. No entanto, o hospital não tem recursos para arcar com os investimentos necessários.

“Fizemos a nossa parte, estamos à disposição para colaborar. Não temos recursos para arcar com os investimentos necessários, precisamos de pagamento antecipado para poder comprar os medicamentos necessários ao menor custo possível e viabilizar um atendimento com a qualidade”, disse.

“Só nos resta torcer para que os leitos previstos pela administração pública sejam suficientes. Mas continuaremos à disposição, caso a população necessite dos nossos serviços”, completou.