Para os grãos – safra de verão –, os resultados apontam estabilidade na produção (0,6%), com previsão de ultrapassar 7,02 milhões de toneladas, em 1.707,9 mil hectares plantados, acréscimo de 1%.

Esses dados constam do levantamento das Previsões e Estimativa das Safras 2020/21 para o Estado de São Paulo, realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA/APTA) e da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS).

Os inexpressivos ganhos de produção se devem ao comportamento da área, visto que, as adversidades climáticas observadas no início do ano agrícola provocaram possíveis perdas na produtividade da terra de 0,4%, em especial para as culturas do amendoim e do arroz, explicam Felipe Camargo, Carlos FredoCarlos Roberto Bueno, Celma Baptistella, Denise Viani Caser, José Alberto Angelo, Maximiliano Miura, Paulo Coelho e Vagner Azarias Martins, pesquisadores do IEA.

A cultura da Soja mantém a tendência de expansão territorial iniciada na safra 2008/09.

O presente levantamento aponta aumento de área (2,9%), alcançando 1.132,9 mil hectares.

A produção deve superar 3,9 milhões de toneladas, o pequeno crescimento (+2,1%) deve-se a queda da produtividade (- 0,7%).

É importante ressaltar que, no ano agrícola anterior, o rendimento foi o maior dos últimos 20 anos e, portanto, se não houver nenhuma intempérie climática, pode haver mais uma grande safra do grão no estado, destacam os pesquisadores.

Posicionado em segundo lugar, tanto em área quanto em produção, no ranking dos principais grão cultivados no Estado, o Milho apresenta área 3,4% menor (340,7 mil/ha) em relação à safra passada, com produtividade 1,6% superior.

A produção esperada é 1,9% menor que a última, totalizando 37,3 milhões de sacas de 60 kg.

Embora o clima tenha prejudicado o início da cultura, as chuvas passaram a acontecer com regularidade e a previsão é de que não haja prejuízos na produção, afirmam os pesquisadores, ressaltando que, “o volume colhido deverá gerar boa rentabilidade para o produtor, pois, apesar do aumento dos custos de produção, o preço médio da saca está valorizado em relação ao mesmo período do ano anterior”.

Para o Amendoim, espera-se aumento de área de 6,1%, totalizando 163,5 mil hectares, com expectativa de produção de 642 mil t (25.676 mil sc. 25kg), ganhos de 2,7%.

Os aumentos de produção estão mais por conta de maior área plantada, já que o rendimento esperado de 3.926 kg/ha se apresenta 3,2% inferior a 2019/20, justificado pela época pouco chuvosa.

Produtores do Noroeste Paulista – principal região produtora do Estado –, afirmam que a alta do dólar, a mecanização da cultura e as pesquisas em sementes mais produtivas e resistentes às doenças são fatores importantes para o crescimento da cultura tanto em São Paulo como no Brasil.

Foto: Tony Oliveira / CNA.

O cultivo do feijão é realizado em três safras: águas (setembro a janeiro), seca (fevereiro a junho) e de inverno (abril a setembro).

Os números referentes ao Feijão das Águas apontam redução de 21,1% de área plantada, contabilizando 48,6 mil ha cultivados, 13 mil ha a menos do que a safra 2019/20.

Para a produção, a previsão é de serem colhidas 129,3 mil t. Apesar de ser inferior (-8,9%) em relação à safra passada, tem-se a expectativa de ganhos de 15,3% na produtividade da terra (2.660 kg/ha ou 44,3 sacas 60 kg/ha), por conta da permanência de grandes e médios produtores com mais condições econômicas no investimento dos tratos culturais da lavoura.

A previsão inicial para a cultura do Arroz é de destinação de 9,8 mil ha, muito similar ao ciclo anterior.

As condições climáticas inapropriadas no início da temporada refletem rendimento de 5,2% inferior, causando queda na produção nos mesmos níveis, prevendo 59 mil t do grão.

Em São Paulo, a última safra teve uma considerável infestação de cigarrinha nas lavouras de arroz, algo que pode influenciar no manejo da cultura para essa temporada.

As previsões e estimativas de safras agrícolas, elaboradas pelo IEA, em parceria com a CDRS oferecem informações fundamentais para o acompanhamento do setor, afirma Gustavo Junqueira, secretário de Agricultura e Abastecimento.

“Os dados sobre o aumento de produção e produtividade da soja e amendoim são duplamente alentadores, por ocorrer após uma excelente safra e por contarem com boas perspectivas tanto no mercado interno quanto para exportação. Aparentemente, o caminho para superação da crise causada pela pandemia está se delineando”, destaca o titular da Pasta.

Para ler o artigo na íntegra e consultar as tabelas e informações detalhadas sobre o comportamento de cada uma das culturas acompanhadas nesse levantamento, assim como conhecer a metodologia utilizada, clique aqui.