O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo (DEM), negou que existam repasses em atraso devidos pelo Governo do Estado à Prefeitura de Cuiabá para manutenção de leitos de UTI Covid na Capital, conforme acusação feita pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

Nesta semana, Emanuel afirmou que o Município estaria arcando sozinho com os custos dos tratamentos de pacientes com coronavírus. Enquanto o Governo Federal não faz repasses desde janeiro deste ano, o débito do Governo do Estado chegaria a quatro meses.

“Ele está falando 4 meses atrasado do quê, especificamente? Não pode colocar tudo no mesmo balaio, com as contas que o Governo passado deveu a esse Estado inteiro. Até isso nós estamos cuidando. Então, que elenque”, disse.

“Ele mostre as evidências do que está atrasado, de que encaminhou. Se existe protocolado para a Secretaria de Estado de Saúde as cobranças de serviços prestados, é só apresentar essa fatura e eu vou dar uma declaração se isso é correto ou não é”, acrescentou.

Só pagamos coisa correta aqui. A gente não paga leito vazio, leito bloqueado, que não está em condição de ser ofertado à população

Figueiredo disse, ainda, que está “cansado de picuinha política”, fazendo referência à rixa entre o prefeito de Cuiabá e o governador Mauro Mendes (DEM).

“Eu checo isso todos os dias. Tenho uma preocupação até especial, por força das picuinhas políticas com Cuiabá, pra não deixar isso acontecer”, afirmou.

O secretário ressaltou, ainda, que a gestão atual não tem problemas financeiros que comprometam a quitação de compromissos assumidos e que tem trabalhado até mesmo para honrar com os débitos deixados pelo Governo passado junto aos municípios.

No entanto, conforme Figueiredo, a Pasta faz apenas pagamentos corretos e é necessário analisar quanto tempo o Município de Cuiabá tem demorado para prestar contas e qual é a qualidade da cobrança encaminhada.

“Só pagamos coisa correta aqui. A gente não paga leito vazio, leito bloqueado, que não está em condição de ser ofertado à população. E quando mandam cobrança desse jeito, vai voltar e terá que consertar”, disse.

Leitos bloqueados

Figueiredo aproveitou, ainda, para alfinetar o prefeito quanto aos leitos de UTI Covid que estavam bloqueados no antigo Pronto Socorro de Cuiabá e que foram desbloqueados após ação judicial movida pela Secretaria de Saúde.

“No Governo do Estado, hoje, prestou serviço, recebe, desde que siga as normas vigentes e atenda os requisitos legais para isso. Tem muita gente que quer apenas a publicação de uma portaria, mas o leito não está disponibilizado, bloqueado por falta de equipamento, de profissional ou por alguma característica”, disse.

“Se esse leito não pôde ser disponibilizado à grade de regulação, não vai receber por ele, porque o dinheiro do povo não pode ser utilizado dessa maneira”, disparou.

A Santa Casa e o Metropolitano têm mais pacientes internados de Cuiabá do que existe no próprio Pronto Socorro e [no Hospital] São Benedito

Congestionamento

Figueiredo alegou, ainda, que a falta de leitos para atender pacientes com Covid em Cuiabá tem causado congestionamento dos hospitais estaduais Santa Casa e Metropolitano, na Capital e em Várzea Grande, respectivamente.

Segundo ele, até ontem havia 50 leitos de enfermaria bloqueados no antigo Pronto Socorro e é necessário que ações sejam tomadas para liberá-los para a população.

“A Santa Casa e o Metropolitano têm mais pacientes internados de Cuiabá do que existe no próprio Pronto Socorro e [no Hospital] São Benedito. Era o mínimo que a Prefeitura de Cuiabá deveria atender. E não atende porque não está condições de receber pacientes: seja por infraestrutura, falta de equipamento, falta de pessoal”, disse.

Segundo ele, o Hospital São Benedito, por exemplo, possui 40 leitos de UTI Covid, mas não possui leitos de retaguarda na enfermaria. Com isso, o tratamento dos pacientes acaba “pulando” uma etapa, uma vez que dão entrada na unidade diretamente na UTI.

“Lógico que não é uma regra, mas o paciente chega para uma enfermaria e você tenta salvar ele ali. Agravou, vai para UTI. Quando ele chega a um estágio de que está se recuperando, pode voltar para uma enfermaria”, explicou.

“Hoje, não. Os leitos de UTI estão todos congestionados e você não tem onde colocar em enfermaria. Daí sobrecarrega a Santa Casa e todo o sistema planejado para isso”, criticou.