O deputado Lúdio Cabral, que criticou o prefeito Emanuel Pinheiro

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) criticou o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), que editou nesta terça-feira (30) um decreto após o Tribunal de Justiça determinar medidas mais duras contra a Covid-19, como a quarentena de 10 dias.

Segundo Lúdio, o decreto do prefeito é uma “peça de ficção”, pois ele poderia endurecer as regras, mas seguiu o que outro decreto, do presidente Jair Bolsonaro, classificou como “atividades essenciais”.

São dezenas de segmentos considerados como essenciais, como academias, salões de beleza, barbearias e comércio.

“O decreto do prefeito e nada é a mesma coisa. Ele está desrespeitando a decisão judicial e produzindo uma peça de ficção. Ele está vestindo cada vez mais o negacionismo do presidente da República Jair Bolsonaro”, disse Lúdio.

“Tudo isso acontece em um Estado e em uma Capital que vacinam a população a passos de tartaruga manca. Onde Cuiabá é a terceira em mortalidade. São 80 pessoas morrendo por dia no Estado, nesta semana”, acrescentou.

O decreto do prefeito e nada é a mesma coisa. Ele está desrespeitando a decisão judicial e produzindo uma peça de ficção
“Deveria haver um combate efetivo, num cenário de colapso do sistema de Saúde, em que todos os dias tem um média de 200 pessoas aguardando por um leito de UTI, agonizando em insuficiência respiratória”, completou o parlamentar.

Sem lockdown

Emanuel, em pronunciamento nesta tarde, justificou que procurou um modo de ser menos danoso aos setores econômicos da Capital.

“É hora de conviver com o vírus. Não é hora de falar em lockdown”, disse o prefeito.

O argumento, para Lúdio, é frágil. Ele defende que um período de quarentena “bem feito”, aliado à política de proteção econômica, daria resultado.

“A quarentena, adotada da forma correta, no momento certo, protege a economia. E ela precisa ser acompanhada de medidas econômicas, tributárias e sociais. Com o falso discurso de proteção da economia, não se protege nem a saúde das pessoas, nem a economia”.

“Isso também porque permite que a pandemia se arraste e cria um ambiente propício para daqui a algumas semana ou meses tenhamos uma variante genética resistente a imunidade produzida pelas vacinas”, emendou.

Decisão do TJ

Ele está vestindo cada vez mais o negacionismo do presidente da República Jair Bolsonaro

A nova medida do prefeito foi adotada após uma determinação da presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Maria Helena Póvoas, proferida na noite de segunda-feira (30).

As regras baixadas por Emanuel começam a valer a partir de quarta-feira (31) e se encerram no dia 9 de abril.

Ele já anunciou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão.

Em resumo, o decreto de Emanuel suspende as aulas presenciais em creches, escolas e universidades; e o funcionamento de casas de shows, cinemas, museus e teatros, quadras esportivas clubes de lazer, atividades coletivas nos parques e uso de espaços compartilhados de condomínios residenciais.

O toque de recolher das 21h às 5h da manhã continua valendo na Capital, bem como as atividades que tem permissão para abrir deverão funcionar das 05h às 20h.