O CAMPEÃO VOLTOU!

Esse é o grito da torcida de um time que havia muito tempo não ganhava um título. É o que a torcida do tricolor paulista está gritando depois da vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras. E com total razão.

Para começar, eu tinha absoluta certeza da possibilidade de o São Paulo ser o campeão paulista. Do contrário não falaria isso no Esporte Espetacular e nem aqui no “De Peito Aberto”.

Eu via os jogadores com brilho nos olhos e com sede de vitórias, e não com a angústia de uma derrota.

O Crespo trouxe competitividade e verticalidade ao time, parou com aquelas saídas de bola forçadas que colocavam a equipe sempre em risco, mudou o tipo de toque, passou a jogar para frente, não para os lados, e colocou Daniel Alves, o melhor lateral ou ala do Brasil, para jogar exatamente ali onde cansou de ganhar. E ganhou mais um, o mais especial por ele ser são-paulino.

Com a chegada do Miranda, colocado por Crespo no esquema com três zagueiros, Arboleda e Léo tiveram mais segurança. E o rendimento cresceu. O trio jogou muito na final.

E isso deixou o Volpi mais tranquilo também no gol, mais seguro e menos tenso. A bola parou de ser tocada de um lado para o outro na frente dele. Foi um alívio a chegada do Crespo e do Miranda para ele.

A contratação do Benítez também ajudou muito. Era uma posição que o São Paulo estava carente. Ajudou na criatividade. Ficou claro, por outro lado, que o Pablo não se encaixou no time desde que chegou.

No domingo, no primeiro tempo, a bola batia e voltava, apesar de ter brigado na jogada do gol do Luan. A sorte de bater no Felipe Mello e entrar foi pelo mérito dele chutar no gol mesmo assim.

Mas o Pablo perdeu todas as jogadas para o Gustavo Gómez no alto e por baixo, com isso o Palmeiras recuperava a bola rapidamente e levava um certo perigo mesmo com a defesa são-paulina fazendo uma partida muito próxima da perfeição.

Luciano comemora depois de anotar o segundo gol do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Luciano comemora depois de anotar o segundo gol do São Paulo — Foto: Marcos Ribolli

Falei na transmissão que trocaria no intervalo e voltaria com o Luciano no lugar do Pablo. Acertei porque era fácil perceber que essa mudança era urgente.

O Crespo voltou com o Luciano, e aí o jogo mudou completamente. A bola começou a ficar mais no ataque, e ele confundiu a defesa do Palmeiras, porque saiu para buscar o jogo e causou dúvida. Ninguém sabia se ficava postado ou ia atrás dele para marcar.

Resultado: o Luciano criou várias jogadas, fez o segundo gol e deixou a Sara na cara para fazer o terceiro. Mas nesse lance o mérito todo foi do Weverton.

O Rodrigo Nestor também entrou muito bem no jogo e daí em diante o São Paulo dominou a partida. O Palmeiras só fez chuveirinho na área e consagrou Arboleda, Léo e Miranda.

O Crespo ainda tentou, ao colocar o Rojas, fazer o gol que mataria o jogo. Mas ficou no 2 a 0.

Bom, para mim, esse time, depois desse título, volta a disputar títulos neste ano. Entrará forte no Brasileirão, que é de pontos corridos. E a equipe mostrou regularidade no Campeonato Paulista.

Na Libertadores também tem muita chance, mas, quando vira mata-mata, uma noite ruim é fatal.

Mas o Crespo já mostrou a que veio. Chegou para ganhar campeonatos, fazer o time jogar bem e gostoso de se ver. Estamos no final de maio e já conseguiu quebrar um tabu de 16 anos sem ganhar o Campeonato Paulista. Entrou para a história e tem tudo para ganhar muito mais.

Parabéns ao São Paulo Futebol Clube por esse título!

Tenho um enorme carinho pelo Tricolor. Fui muito bem recebido quando joguei lá e foi uma das melhores fases da minha vida. Tudo mudou na minha vida profissional depois que passei por lá.