São Paulo, terça-feira, 03 de julho de 2007 

No Rio, presidente defende operação da polícia no complexo do Alemão que terminou com pelo menos 19 pessoas mortas

Lula anunciou projetos no valor de R$ 3,8 bilhões no Estado, com ações em favelas como urbanização e construção de creches

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem, ao anunciar projetos de R$ 3,880 bilhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o Rio de Janeiro, a ação da polícia fluminense no complexo do Alemão, que resultou na semana passada na morte de pelo menos 19 pessoas.
“Nessa ação de vocês [governo do Estado do Rio] no complexo do Alemão, tem gente que acha que é possível enfrentar a bandidagem com pétalas de rosa ou jogando pó-de-arroz. A gente tem que enfrentá-los sabendo que muitas vezes eles estão mais preparados do que a polícia, com armas mais sofisticadas. A gente tem que enfrentá-los sabendo que a maioria do povo que trabalha lá é de gente trabalhadora, de bem, que não pode ficar refém de uma minoria”, disse Lula.
Antes de ir ao Rio, o presidente já havia falado sobre violência em São Bernardo do Campo, em discurso na comemoração dos 50 anos da montadora Scania no país.
“Se o Estado não cumprir com o seu papel de dar condições ao povo, o narcotráfico dá, o crime organizado dá”, afirmou. “Então, nós queremos competir com o crime organizado, na certeza de que só vamos derrotá-lo na hora em que a gente conseguir levar benefícios para dentro desses lugares mais pobres do Brasil.”
Ontem, a Polícia Civil divulgou lista informando que 11 dos 19 mortos na operação policial de quarta-feira no complexo do Alemão (zona norte do Rio) tinham antecedentes criminais. Entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia suspeitam que possa ter havido um massacre no Alemão.
Um dos projetos incluídos no PAC para o Rio é o de urbanização do complexo do Alemão, com R$ 495 milhões.
Também serão contempladas com verbas as favelas da Rocinha (R$ 110 milhões), Manguinhos (R$ 235 milhões) e Pavão-Pavãozinho (R$ 35,2 milhões). Para Lula, as obras são fundamentais também para combater o crime.
“Aquele povo que está morando lá [nas favelas] é vítima do descaso que o poder público teve com ele há 40, 50, 60 anos. Somente com essas obras, investimento em educação e opções de lazer a gente vai poder vencer o crime. Caso contrário, ele vai nos derrotar, porque a ausência do Estado é total.”

Emprego
Na avaliação do presidente da Federação das Associações de Moradores de Favelas, Rossino de Castro, os investimentos anunciados ontem em favelas são importantes e bem-vindos, mas isso não é suficiente para diminuir a violência: “Há muitos anos as favelas não recebiam uma grana dessas, mas acho que ainda falta muito. Senti falta também de uma política de emprego. Falaram de posto de saúde, de escola, de praça para crianças, mas não de trabalho para comunidade”.
Além dos projetos de urbanização em favelas, o governo federal anunciou também investimentos em 15 municípios do Rio, entre obras de saneamento e projetos de urbanização em comunidades carentes.
Vários prefeitos do Estado compareceram ao evento na casa de espetáculo Canecão. Umas das exceções foi o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM). A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, minimizou a ausência, dizendo que a prefeitura tem sido parceira do governo em vários projetos do PAC.
Antes de deixar a montadora em São Bernardo do Campo, Lula lembrou da previsão de investimento de R$ 504 bilhões em infra-estrutura.

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