Olhar Direto
O delegado-geral da Polícia Judiciária Civil (PJC), Mário Dermeval Aravechia de Resende, negou que a saída do delegado Flávio Stringueta da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) teve relação com as falas do delegado sobre o Ministério Público.

 

Em um artigo publicado na mídia local, Stringueta chamou o MP de “instituição imoral”, após aprovação da compra de R$ 2 milhões em aparelhos celulares para seus membros. Logo após a saída do delegado da GCCO, a PJC recebeu R$ 30 milhões por meio de uma parceria com o MP.
Em um artigo de opinião publicado em vários veículos de mídia local,  o delegado chamou o MP de imoral, citando o caso envolvendo a compra de R$ 2 milhões em aparelhos celulares para membros do MP (R$ 1,6 milhão foi apenas para compra de iPhones). A exoneração da GCCO veio logo após isso. Ele foi remanejado para a 2ª Delegacia da Polícia Civil, localizada no bairro Carumbé, e é responsável por investigar casos de estelionato. Segundo o delegado-geral, a mudança não tem relação com o artigo. 

“Não há castigo nenhum, na realidade é muito comum a alternância de gestões nas unidades, é muito salutar, oxigena as unidades, tal qual os delegados que já trabalharam nesta unidade, é uma unidade de valor e não há desmerecimento nenhum com relação ao que aconteceu. Todos os policiais são valorizados, todos os delegados são valorizados e nós entendemos que foi uma mudança muito tranquila, uma mudança que se encaixa ao cotidiano da instituição”, disse.

Dias após a exoneração de Stringueta da GCCO, a PJC, através da parceria com o MP e Poder Judiciário, recebeu em conta própria o recurso de R$ 30 milhões, que serão destinados para as obras da nova sede da PJC. O dinheiro é proveniente de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) resultante de investigações realizadas pela PJC no combate à corrupção. Segundo Dermeval a PJC possui boa relação com outras instituições e o episódio não reflete qualquer submissão ao MP.

“Muito pelo contrário, a instituição Polícia Civil hoje vive de maneira muito harmônica com diversas instituições, tem uma relação interinstitucional que tem trazido diversos avanços à Polícia Civil, e a instituição está sempre acima da opinião pessoal dos nossos servidores, então não há qualquer tipo de correlação com isso […] a gestão está distante da opinião pessoal dele, nós respeitamos muito a opinião pessoal dele, porém não tem correlação com a gestão essa mudança”, afirmou.

O chefe da PJC disse ainda que Stringueta é um grande profissional e continuará contribuindo para a melhoria dos trabalhos da instituição.