Um dos organizadores da carreata contra o fechamento do comércio em Cuiabá, o empresário Nilvo Salvatori, criticou a restrição de horário como forma de prevenção à Covid-19.

De acordo com ele, a medida, aliada a outras como proibição de venda de bebidas alcóolicas em bares e restaurantes, está levando empresas à falência e aumentando os índices de desemprego.

Conforme Nilvo, cerca de mil carros participaram da manifestação que passou por diversos pontos da Capital nessa quarta (31), até chegarem ao Palácio Paiaguás.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MT) também participou da organização da carreata.

Para o empresário, o Governo e a Prefeitura de Cuiabá deveriam investir em fiscalização e penalizações duras contra os estabelecimentos que não cumprem as medidas de segurança.

Nilvo também afirmou que a iniciativa de oferecer empréstimos aos empresários, no momento em que eles já estão endividados, não ajuda na situação.

Quem tem o salário na conta todo mês garantido, não tem essa empatia de analisar o sofrimento das outras pessoas. Fica fácil chegar e falar: ‘olha, você não tem direito de trabalhar para levar o alimento para casa, se contenta com coronavoucher de R$ 200/R$ 300’. Tem cabimento uma coisa dessas?

“Não é mais fácil atuar em cima dessas [empresas] que não cumpriram as medidas de forma mais efetiva e eficaz, do que punir milhares de empresas?”, questinou.

“Cada dia que passa está sendo gerado mais desemprego. Quem tem o salário na conta todo mês garantido, não tem essa empatia de analisar o sofrimento das outras pessoas. Fica fácil chegar e falar: ‘olha, você não tem direito de trabalhar para levar o alimento para casa, se contenta com coronavoucher de R$ 200/R$ 300’. Tem cabimento uma coisa dessas? Um pai ou uma mãe de família ficar com R$ 200/R$ 300 para sustentar uma casa? Eles não olham para essas pessoas”, disse.

De acordo com Nilvo, Mato Grosso tem cerca de 70 mil colaboradores no segmento de bares e restaurantes. Em média, a queda nas vendas concentradas nos estabelecimentos noturnos caiu de 60% a 70%.

Impacto no comércio noturno

Ele ressaltou que, ao final dos dez dias de quarentena obrigatória determinados em decreto municipal, seja estabelecido toque de recolher, no mínimo, até 23h. De acordo com ele, a proibição de venda de bebidas alcóolicas nos bares e restaurantes também precisa ser revista.

A crítica de Nilvo é com o fato de que bebidas alcóolicas podem ser vendidas em supermercados e distribuidoras, prejudicando bares e restaurantes.

“Sem venda de bebida alcóolica o movimento despenca na praça de alimentação, porque todo mundo concentra em casa. A empresa vende migalhas que não pagam nem o aluguel. Para a grande maioria dos empresários, o delivery representa 20%, 30%… As contas continuam sendo quase 100%. Eles estão incentivando o que sabemos ser um dos maiores pôlos de contágio: supermercados e festas particulares”, avaliou.

O empresário explicou que a maioria dos estabelecimentos cumprem as medidas de combate ao coronavírus e que, com as restrições, as pessoas começam a se aglomerar em casa, onde não respeitam o isolamento social, uso de máscarase alcóol em gel. Aumentando o risco de contaminação.

Segundo ele, com fechamento do comércio às 19h, acaba não compensando que donos de bares e restaurantes abram o estabelecimento.

“Estavam abrindo para fazer tipo happy hour, cortaram a bebida e agora o pessoal tá sem faturamento algum. Mesmo com liberação de bebida, até às 20h, não compensa abrir, você não tem caixa para pagar os funcionários”, disse.

O empresário relatou desconhecer informações de colegas sobre vítimas da Covid-19 no quadro de funcionários dos estabelecimentos.

“Só conheço uma pessoa que faleceu, foi um empresário do ramo, estou em todos os grupos do segmento. Nenhum trabalhador faleceu. Não escutei ninguém falando: ‘perdi um funcionário meu de Covid-19’. Nenhum”, explicou.

Situação dramática

O empresário afirmou que entende que a situação da saúde é “dramática”, mas não acha certo que alguns empresários sejam “castigados” com medidas que não representam benefícios no combate a pandemia.

Na opinião dele, lockdown é uma medida usada por gestores que não souberam fazer o “dever de casa” e não se programaram para a segunda onda da Covid-19 no Brasil. Nilvo usou como exemplo o fato de que outros países já davam sinal de aumento de casos no segundo semestre do ano passado, assim como o colapso de Manaus (AM), causado pela doença no começo deste ano.

“Minha opinião em relação a lockdown: é uma medida burra, de governadores, prefeitos, gestores incompetentes que não souberam fazer o dever de casa, que deveriam ter se programado de uma forma melhor, acabaram não fazendo e querem descontar no comércio a culpa pela pandemia. Se chega num nível de 100% de capacidade hospitalar, entendo que acaba sendo a última saída. Mas pergunto não deveriam ter sido feitas estratégias anteriores a chegar nesse ponto?”, questionou.

Pandemia em Mato Grosso

De acordo com boletim divulgado nessa quarta (31) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), Mato Grosso registrou 2.846 mil novas confirmações de casos da Covid-19 e 100 mortes causadas pela doença em 24 horas.

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No total, 310.337 mil casos e 7.675 mil mortes já foram confirmadas no estado. A taxa de ocupação das UTIs é de 98,02%, representando 496 pacientes internados. A rede pública e privada de saúde colapsou em Mato Grosso por conta da alta demanda de contaminações e casos graves da doença.