Olhar Direto

O governador Mauro Mendes (DEM) se negou a afirmar categoricamente que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha tomado uma decisão política ao negar a autorização para a importação da vacina Sputnik V, desenvolvida na Russia. Ressaltando não ter provas para fazer tal acusação, disse, porém, que estranhou a condução do órgão nesse caso.

É um pouco estranho, mas eu não gosto de acusar quando não se tem prova. Tem muita gente falando besteira sem qualquer fundamento. Eu não sou médico, nem gabaritado para fazer uma crítica tão contundente como essa contra uma agencia federal. Posso dizer, no mínimo, que é estranho”, disse, durante entrega de nova remeça dos cartões do programa “Ser Família Emergencial”, na manhã desta sexta-feira (30), no Pedra 90.

Mauro lembra que o Congresso aprovou medida provisória na qual prevê que a Anvisa aprove em cinco dias os pedidos para uso emergencial de vacinas contra a Covid-19 que tenham tido aval de agências reguladoras internacionais. Além da liberação pelos Estados Unidos, União Europeia, Japão e China, o órgão também poderá considerar as decisões de Canadá, Reino Unido, Coreia do Sul, Rússia e Argentina. Até agora, 11 vacinas foram aprovadas pelo Mundo, entre elas a Sputnik V. 

“São constatações óbvias, que, no mínimo, deixam essa condução um pouco estranha. Mas, jamais seria leviano em imaginar que enquanto brasileiros estão morrendo aos quatro cantos do país, outros brasileiros iriam fazer politicagem. Quem fizer isso, meu Deus”, declarou.

“Os cronogramas do Ministério não tem sido cumpridos. Aquilo que foi divulgado oficialmente várias vezes teve problemas. Se há oportunidade de comprar outras vacinas, no mínimo tem que olhar com muito carinho e respeito. Fazer o que é tecnicamente correto e bom para a população”, completou.

Sobre a possibilidade de judicializar o caso e buscar a liberação da vacina por meio do Supremo Tribunal Federal (STF), Mauro afirmou que já autorizou a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a equipe técnica que acompanha o processo na Anvisa a adotar todas as medidas legais para conseguir trazer as 1,2 milhão de dose compradas.

“Preciso ter também segurança jurídica e técnica para fundamentar isso. Não gosto de pedir algo quando não tenho certeza de que é o correto. Vamos esperar o contraponto técnico à Anvisa e ai essa é um possibilidade que podemos, conjuntamente com outros estados, utilizar. Como cidadão, eu olho que há mais de 60 países aplicando essa vacina. Só aqui na Argentina, foram mais de 7 milhões de doses aplicadas. Não vi falar em ninguém que tenha morrido, virado jacaré”, pontuou.

Decisão política

Diante das acusações de decisão política, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, disse que tal rumor impacta na confiança e na credibilidade do órgão. Assegurou que não há na instituição “nenhuma pessoa que tenha qualquer interesse ou júbilo em negar a importação de qualquer vacina”.

A Gerência de Medicamentos apontou diversas falhas de segurança associadas ao desenvolvimento do imunizante. Na mais grave, explicou que o adenovírus usado para carregar o material genético do coronavírus não deveria se replicar, mas ele é capaz de se reproduzir e pode causar doenças.