Na vespera do julgamento do pedido de liberdade da menor que matou Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, a empresária Patrícia Guimarães Ramos afirmou que ela e o filho estão vivendo “dias amargos”. Ela ainda agradeceu o apoio de amigos e familiares na luta por Justiça.

Nesta quarta-feira (28), a 3ª Câmara Criminal, do Tribunal de Justiça, julga o habeas corpus da adolescente acusada do disparo. Ela foi condenada por crime análogo a homicídio doloso e internada em uma unidade socieducativa.

A defesa da adolescente recorre a sentença dada pela juíza Cristiane Padim, da 2ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, em janeiro deste ano, que determinou três anos de internação, pena máxima para menores de 18 anos.

Na última terça-feira (27), Patríciausou as redes sociais para falar da ausência da filha.

“Eu e Pedro [irmão de Isabele] temos vivido dias amargos sem a Bele… Talvez não tenham noção de como tem sido importante e reconfortante poder dividir este fardo com vocês”, escreveu.

A empresária também agradeceu a presença dos que foram ao culto ecumênico, em 21 de abril, e na carreata de terça, em memória de Isabele.

Ela afirmou que vai continuar lutando até todos os responsáveis pelo crime sejam responsabilizados.

“Tenho fé em Deus e confiança que a Justiça por Bele será mantida. A luta continua e esperamos contar com todos até que a Justiça alcance todos os responsáveis pela tragédia que assolou e mudou nossas vidas para sempre”, diz trecho da publicação.

Defesa tenta liberdade de menor 

Em 14 de abril, o desembargador Rondon Bassil Dower Filho, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, votou favorável ao habeas corpus da adolescente.

Já o relator do habeas corpus, desembargador Juvenal Pereira da Silva, se manifestou a favor da manutenção da internação da menor, em sessão realizada em 31 de março.

O julgamento foi suspenso e adiado para hoje após o desembargador Gilberto Giraldeli pedir vista dos autos.

Paralelo ao habeas corpus do TJ, os advogados da menor também tentam reverter a internação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Lá, a votação  já conta com dois votos pela manutenção da detenção, mas três ministros ainda não votaram.

Morte de Isabele 

O crime ocorreu em 12 de julho de 2020, no condomínio Alphaville 1, onde a menor morava com os pais. Isabele visitava a amiga, quando o namorado dela chegou na residência com duas armas.

A tragédia aconteceu quando o pai da atiradora, o empresário Marcelo Cestari, pediu que a filha guardasse o case com as armas no segundo andar da casa.

Porém, a menor desviou o caminho e seguiu em direção ao banheiro de seu quarto com as armas. Lá, ela encontrou Isabele, que acabou sendo atingida pelo disparo da arma.

A Politec apontou que a adolescente estava com a arma apontada para o rosto da vítima, entre 20 a 30 centímetros de distância, e a 1,44 m de altura.