Direção de hospitais, executivos municipais e estadual, além de familiares de pacientes diagnosticados com covid-19, internados em unidades de saúde públicas e privadas são a favor da visita de representantes de qualquer ordem religiosa nas unidades de terapia intensiva (UTIs).

Todos destacam a importância da assistência espiritual para a saúde dos pacientes.

Em Mato Grosso, projeto de lei que garante o acesso de religiosos no setor foi aprovado pela Assembleia Legislativa e aguarda sanção do governador do estado.

Com o filho Douglas Arruda Oliveira, 17 anos, infectado pela covid-19 e internado na UTI de um hospital privado de Cuiabá há 50 dias, a técnica em radiologia, Izabel Cardoso, 48 anos, afirma que fé e oração têm ajudado significativamente na melhoria do quadro clínico de seu filho.

Lembra que na semana em que os médicos comemoraram um bom avanço na saúde do Douglas, três padres haviam ido visitá-lo e fizeram oração por ele. “Toda vez que vem o padre rezar por ele sinto, no fundo do meu coração, que ele tem uma boa melhora”.

Izabel diz que acredita que a oração é válida em qualquer lugar, mas, quando ela é feita perto da pessoa por quem se intercede, ela tem mais força.

“Temos que ter fé e confiar no que a gente não vê. Eu fico muito agradecida quando vem um padre rezar pelo Douglas”, destaca a mãe, acrescentando que, além das visitas de padres, grupos de oração também têm reforçado os pedidos de cura do adolescente do lado externo do hospital.

No SUS

A Prefeitura de Várzea Grande informou que independente dos pacientes internados nas unidades do município serem diagnosticados com covid-19, ou não, desde que não haja oposição médica e seguindo as exigências de sanitização da UTI, sempre foi liberado o acesso de religiosos a pedido da família do enfermo. Isso porque, segundo o Executivo, “é comprovado o efeito da fé dos familiares no processo de recuperação e cura dos pacientes em estágio grave”.

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS) disse que ao longo de mais de um ano de pandemia da covid19, somente autorizou a entrada de religiosos em hospitais que atendem pacientes com a doença em duas ocasiões, sendo uma no Hospital São Benedito e outra no Hospital Referência à Covid-19, onde houve a bênção do Santíssimo Sacramento.

As visitas foram realizadas a pedido da Igreja Católica e após rigoroso controle do acesso, mediante uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e orientações aos religiosos quantos aos cuidados que deveriam tomar após a visita, visandoà proteção da saúde deles, dos pacientes e demais pessoas com quem tivessem contato.

A Pasta ainda destacou que até o momento não há nenhum pedido para visita de religiosos nas unidades de saúde pública da Capital e que, quando desejam realizar alguma ação voltada para a fé, são feitas do lado de fora dos hospitais. Nos hospitais regionais de Alta Floresta, Colíder, Sorriso, Hospital Metropolitano e Hospital Estadual Santa Casa, todos administrados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), já são autorizadas as visitas religiosas de capelães.

O Estado frisa que essas visitas ocorrem de forma esporádica, em casos pontuais e seguem os protocolos de biossegurança de prevenção à covid-19, como utilização de paramentação adequada, distanciamento mínimo de 1,5 metro e utilização de álcool 70%.

Rede privada

Assim como nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), hospitais particulares da Capital também autorizam a entrada de representantes religiosos, quando a pedido dos familiares. Um exemplo disso é o Hospital São Mateus, que informou que, apesar de liberar as visitas de capelães mediante solicitação da família do enfermo, primeiro o hospital analisa a condição atual do paciente.

Na sequência, avalia-se quem irá fazer a visita (se já teve covid-19). A autorização é feita pela gerente de Enfermagem ou coordenadora de UTI. Além disso, por questões de biossegurança, é preciso seguir os protocolos de paramentação da instituição.