A deputada Janaina Riva (MDB) afirmou ser contra a antecipação dos feriados ou decretação de lockdown como forma de tentar frear o avanço da Covid-19 em Mato Grosso.

O governador Mauro Mendes (DEM) irá apresentar, nesta terça-feira (23), o projeto que prevê a antecipação de cinco datas comemorativas estaduais a partir de sexta-feira (26), criando um “feriadão” de 10 dias.

Para a parlamentar, tal medida poderá acarretar em um resultado contrário do esperado.

“Se hoje fosse feriado, quantos churrascos, beira de rio e gente aglomerando teriam neste momento? É isso que muitos prefeitos do interior estão falando, que vai aglomerar mais e ser pior se decretarmos 10 dias de feriado em Mato Grosso”, afirmou.

Se hoje fosse feriado, quantos churrascos, beira de rio e gente aglomerando teriam neste momento?

A deputada defendeu que, dessa forma, os gestores estariam ainda cerceando a população de exercer a sua fé, em alusão à Semana Santa.

“A Sexta-feira Santa, para nós católicos, não é negociável. Como que vamos deixar as pessoas sem ter o direito de acompanhar uma celebração, ao menos que virtual, porque o padre ou o pastor tem que estar dentro da igreja?”, questionou.

Janaina afirmou também que a decretação de feriado prolongado acarretará em abertura de concessões a determinados segmentos, citando supermercados, farmácias, empresas ligadas ao escoamento de produção e lavanderias de hospitais como exemplos.

“E quando a gente abre a concessão, não temos fiscalização. A Assembleia acabou de aprovar uma multa. Quantos foram multados? E já estamos cogitando fechar novamente. É por isso que sou contra”, afirmou.

Hoje, se nós aceitarmos fechar novamente o comércio, nós vamos quebrar o Estado de Mato Grosso.

“E quero registrar o meu desconforto de quem determina lockdown são as pessoas que estão com salário em dia: Poder Judiciário, MP, políticos. Todos nós estamos recebendo o nosso salário todo mês”, completou.

Lockdown

Para Janaina, um lockdown também não seria a melhor saída. Para ela, o aumento excessivo de casos confirmados e mortes pelo novo coronavírus não pode ser debitado ao comércio, mas às aglomerações promovidas por parte da população que insiste em desrespeitar as medidas de biossegurança.

Segundo ela, tais atos acarretariam em prejuízos econômicos irreparáveis ao Estado.

“Hoje, se aceitarmos fechar novamente o comércio, vamos quebrar o Estado de Mato Grosso. As pessoas estão clamando por alimento, por emprego”, afirmou.

“A situação é desesperadora. Morre pela falta de ar e também pela falta de comida”, ressaltou.