Olhar Direto

O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, garantiu que Mato Grosso não irá fazer qualquer tipo de repasse financeiro para a compra das 1,2 milhão de doses da vacina contra a Covid-19, enquanto o estado não tiver a liberação da Anvisa para a importação da Sputnik V. Na América Latina, o imunizante já é utilizado na Argentina e no México.

Na tarde desta terça-feira (06), o secretário e o governador Mauro Mendes (DEM) participaram de reunião remota com diretores da Anvisa para tratar do pedido de uso emergencial da vacina russa.

“Não haverá pagamento enquanto não tivermos garantia absoluta da qualidade, eficiência e segurança da vacina. É uma negociação em curso, feita por dois consórcios interestaduais”, disse em conversa com a imprensa, ao deixar a reunião no Palácio Paiaguás, antes do término do encontro. 

O acordo para a aquisição foi assinado na semana passada. A compra é feita por meio dos consórcios do Nordeste e da Amazônia. Conforme o democrata, cada dose custará U$S 9.95 dólares, resultando em um total de U$S 11,95 milhões – cerca de R$ 67,3 milhões.

Com pelo menos 37 milhões de doses da Sputnik V garantidas pelos estados, o problema tem sido o pedido de uso emergencial feito pelo laboratório União Química, que ficará a cargo da produção nacional do imunizante. Mesmo sendo possível a produção nacional da vacina, as primeiras doses serão importadas, e para isso os governadores protocolaram um pedido de importação junto à Anvisa na semana passada.

Segundo noticiário nacional, a agência federal encontra dificuldades para obter toda a documentação necessária da União Química. O primeiro pedido de uso emergencial do laboratório, feito em janeiro, chegou a ser recusado pela Anvisa porque não tinha “requisitos mínimos para submissão e análise”.

Gilberto também comentou sobre a possibilidade de o governo federal requerer todas as doses para o Programa Nacional de Imunização (PNI). Como já explicado pelo Palácio Paiaguás, há o entendimento de que caso a União arque com os custos da aquisição, ou faça o ressarcimento aos estados, as doses devem ser requeridas pelo Ministério da Saúde. Caso os governadores paguem sozinhos pela compra, os imunizantes ficam nos estados. “Queremos fazer a aquisição de vacina e utilizar para vacinar os mato-grossenses que aqui estão, mas teremos que seguir a decisão do Supremo”.

Liberação

Em coletiva a imprensa nesta terça, o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, disse que existe a possibilidade de o Brasil receber uma “importação excepcional” para iniciar a produção no país. “A visita à Rússia busca esclarecer pontos fundamentais, então a visita será esclarecedora. Existe a possibilidade de importação excepcional, mas fazem parte do processo vários dentes dessa engrenagem”.

No início da tarde, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para tratar do assunto. Em entrevista à CNN Brasil, declarou que há grande possibilidade de o país fabricar a vacina, caso a Anvisa aprove o imunizante.