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Ex-secretário-adjunto da Atenção Primária de Cuiabá, Luis Gustavo Palma, disse que a falta de profissionais competentes resultou no vencimento de centenas de remédios no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC).

Palma, que também é médico e enfermeiro, prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos na quarta-feira (2).

“Tem que ter controle de todas as etapas e o feedback do que tem em estoque para que os remédios não vençam nas prateleiras. Tem que ter farmacêutico e pessoas que entendam o que estão fazendo. Os cargos cabeças do CDMIC tem que ser pessoas que entendam de medicamentos e o que colocar pessoas capacitadas para gerenciar”, disse ao ser sabatinado por vereadores.

Palma foi o 6º depoente a ser ouvido pelos parlamentares e prestou esclarecimentos sobre sua participação no sistema de atendimento à demandas de medicamentos que eram requisitados pelas unidades de saúde do município.

Na época, segundo ele, o sistema ainda não era totalmente informatizado e faltavam servidores com competência técnica para fazer o controle de todas as demandas. Nesse contexto, Palma ponderou que alguns profissionais tiveram que ser remanejados do CDMIC para suprir outros setores do município.

“O Tribunal de Contas nos forçou a demitir muitas pessoas que cuidavam das unidades básicas de saúde e nós tivemos que tirar profissionais que estava dentro do CDMIC para ajudar em outras funções. Na época tivemos um déficit para cuidar dos medicamentos”, complementou.

Durante a sabatina, o ex-adjunto foi pressionado pelos vereadores da oposição sobre a responsabilidade dos medicamentos que venceram. Contudo, disse que a competência de sua pasta era totalmente voltada a atender os requerimento dos remédios para a atenção primária.

Por fim, Palma ainda apontou falhas na comunicação da Norge Pharm, empresa contratada para gerenciar o deposito. “Eu acho que deveria ter esse feedback do que está sobrando, de quem está comprando e de quem está gerenciado o estoque que é o básico. Agora eu não sei o porque entregaram muitos remédios lá porque isso não passou por mim”, finalizou.

CPI dos Medicamentos
A CPI foi criada com o intuito de apurar a denúncia sobre os remédios com prazo de validade vencida estocados na Central de Distribuição de Medicamentos e Insumos (CDMIC). Os medicamentos foram descobertos durante um ato de fiscalização de vereadores da oposição em abril deste ano. Nesse primeiro momento, a CPI mira nos responsáveis pela assinatura do contrato da Prefeitura de Cuiabá com a Norge Pharma, empresa responsável pelo Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC). O contrato de R$ 9,7 milhões fechado com a empresa foi firmado por Possas de Carvalho, em janeiro de 2020.

A Comissão é formada pelos vereadores Lilo Pinheiro (PDT), que responde pela presidência, Marcus Brito Junior (PV), relator do processo e ainda pelo tenente coronel Paccola (Cidadania), que figura como membro titular.