Editais coletivos lançados pelo governo de Minas preveem a compra de R$ 8 milhões de alimentos produzidos por agricultores familiares até o fim do ano. Ao todo, 759 escolas estaduais de 159 cidades serão abastecidas com os produtos.

A iniciativa busca tornar a refeição dos alunos mais saudável. Balanço da Secretaria de Educação (SEE) aponta que, até 14 de maio, 62 municípios já tinham participado dos certames, abrangendo 166 mil estudantes.

Até agora, foram demandadas, aproximadamente, 800 toneladas de alimentos dos pequenos produtores. Os fornecedores foram mapeados a partir do cruzamento de dados da SEE, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais (Emater) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Antes, a gente não sabia onde estavam esses agricultores, quem eram, o que produziam e se eram capazes de atender às necessidades. Com este trabalho, hoje temos um cardápio elaborado com base no que é produzido por aqui”, diz Clelma Mendes, diretora da Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro, de Montes Claros, Norte de Minas.

A gestora afirma que os estudantes estão tendo acesso a uma alimentação de melhor qualidade. “Houve uma aceitação grande por parte deles, e os agricultores familiares são auxiliados. No final, a renda fica na própria região”.

Combate à fome

Secretário-adjunto de Educação, Wieland Silberschneider afirma que a iniciativa qualifica a oferta da refeição escolar com produtos saudáveis. “Além de alcançar uma quantidade significativa de cidadãos, muitas vezes, em situação de insegurança alimentar e nutricional”, ressalta.

O combate à fome no campo também é destacado pela secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Rosilene Rocha. “Precisamos facilitar o acesso do pequeno agricultor ao mercado institucional e a permanência das famílias no campo com uma alimentação mais nutritiva e aumento da renda”.

Já o coordenador técnico estadual da Emater, Dario Magno Maia, afirma que a iniciativa promove a inclusão socioeconômica. “Como houve este planejamento, sinergia e integração entre diversos órgãos, os resultados alcançados com certeza serão mais amplos e mais permanentes”, explica.

O montante a ser injetado em cada município participante é pontuado pelo diretor do Sebrae, Anderson Cabido. “A estimativa é que, para cada real investido em uma economia, ele tenha um efeito multiplicador de duas a três vezes. Então, o impacto na economia local poderá chegar a R$ 24 milhões, que é maior do que a arrecadação anual da maioria destas cidades”.

Projeto

Os editais coletivos fazem parte do projeto Sementes Presentes, que integra a Estratégia Novos Encontros – de Enfrentamento da Pobreza no Campo. A iniciativa é coordenada pela Sedese, com participação das pastas de Educação e de Planejamento e Gestão (Seplag), além da Emater-MG. Os trabalhos têm a parceria das secretarias de Desenvolvimento Agrário (Seda) e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), além do apoio do Sebrae.

Os diretores das instituições de ensino foram capacitados a comprar os alimentos por meio dos certames. Por sua vez, os pequenos produtores estão sendo orientados sobre como vender os produtos para as unidades escolares. Além disso, 50 mil famílias de agricultores com renda per capita de até meio salário mínimo serão beneficiadas com assistência técnica rural, entrega de sementes e kits de irrigação.

Quem está participando do processo afirma já ter tido resultados positivos. É o caso da Cooperativa dos Agricultores Familiares Frutos da Terra, de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. A entidade foi vencedora de dois dos editais coletivos e passará a atender 37 escolas da região. Antes, os produtores comercializavam os produtos para apenas 20. “Somos hoje 51 cooperados, e depois do edital já temos mais 13 interessados aguardando para se cooperar”, conta o presidente da associação, Jaime Ferreira.

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