A vereadora Michelly Alencar (DEM) afirmou que o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), foi “arrogante” ao não dar ouvidos às críticas feitas pela oposição desde o início da vacinação contra a Covid-19 na Capital.

O modelo centralizado, adotado desde janeiro deste ano no Centro de Eventos do Pantanal, gerou filas e aglomerações de idosos e, conforme Michelly, não ajudou a dar vazão ao estoque de vacina de forma mais acelerada.

“Infelizmente, o prefeito Emanuel Pinheiro foi arrogante e não soube ouvir. Um gestor precisa ter humildade e escutar as pessoas. Desde o começo da vacinação estamos alertando que o modelo estava errado, mostrando outros exemplos”, disse.

“A cidade está passando vergonha na questão da vacinação, que seria uma das etapas menos complexas no combate ao coronavírus, necessitando apenas de planejamento e organização”, disse.

Nesta semana, após ação do Ministério Público Estadual (MPE), a Prefeitura transferiu o sistema drive-thru para o Sesi Papa, na região da Morada do Ouro. Outro ponto foi aberto nesta terça-feira (14) no campus da UFMT.

Infelizmente, o prefeito Emanuel Pinheiro foi arrogante e não soube ouvir. Um gestor precisa ter humildade e escutar as pessoas
Apesar de ser uma sinalização de que o sistema pode melhorar, a vereadora avaliou a iniciativa de descentralização como tímida e com falhas.

“O que vimos em Cuiabá foi muita desorganização. A descentralização está sendo feita agora, mas depois de muita insistência. Esperamos que agora a vacinação seja mais rápida e sem aglomeração. Foi o que pedimos desde o início”, afirmou.

Michelly acompanhou o início da vacinação no polo da Morada do Ouro, nesta segunda-feira (12), e afirmou que apesar de estar funcionando, há pontos que precisam de melhorias, principalmente quanto ao agendamento.

Ela cita, por exemplo, que pessoas que moram na região do Centro de Eventos do Pantanal e se enquadram na nova faixa etária de vacinação, de 65 a 69 anos, estão precisando se deslocar até o Sesi Papa para serem imunizadas.

“O agendamento não está atendendo por região como nós esperávamos. Então, fica incompleto. Temos avanços, mas pela metade”, criticou.

“Atendimento precário”

A cidade está passando vergonha na questão da vacinação, que seria uma das etapas menos complexas no combate ao coronavírus
A parlamentar afirmou que a gestão da saúde na Capital está ruim, mas não atribui o problema a uma atuação exclusiva da secretária Ozenira Félix, mas à gestão Emanuel Pinheiro.

Ela destacou que com a pandemia em curso e mesmo com um pico de casos já previsto, “o prefeito deixou o caos tomar conta da cidade”.

“Nos casos do tratamento de pacientes com Covid-19, o que vemos é assustador. Deixaram faltar medicamentos básicos nos hospitais, pacientes intubados sem alimentação e prestes a acordar do coma por falta de sedação”, enumerou.

Michelly ainda apontou um “atendimento precário” nas unidades de saúde, com pacientes com suspeitas de Covid-19 no mesmo ambiente que pacientes que foram buscar atendimento para outros problemas.

“Tem muitas mães se expondo e expondo seus filhos porque precisam levar nas unidades básicas de saúde para vacinação do calendário regular, mas chegam lá e encontram as unidades lotadas de pacientes com suspeitas de Covid-19”, relatou.

“A Prefeitura não soube organizar o sistema. A pandemia começou há mais de um ano e ainda estamos na mesma situação: desorganização”, criticou.