A ex-secretária-adjunta de Saúde de Cuiabá, gestora pública Dúbia Campos, disse em depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde que a ingerência política nas unidades de saúde de Cuiabá “é uma prática comum”.

Segundo ela, algumas unidades como, por exemplo, a Policlínica do Planalto, foi coordenada por indicações políticas, estando os servidores à disposição para atender determinados interesses pessoais desses políticos.

Segundo o presidente da CPI, vereador Abilio Junior, havia muitas denúncias de “pessoas que chegavam ali, conheciam alguém de dentro da unidade e pediam para passar na frente”. Isso, afirmou a ex-secretária, era presente em todos os níveis de atendimento, inclusive na Central de Regulação.

Para Abilio, esse depoimento comprovaria a ingerência política, um dos objetos de investigação da CPI. “Fica muito evidente no depoimento da ex-secretária a prática de loteamento da saúde. Uma prática da qual são favorecidos os ‘amigos do rei’. Se eu, cidadão, não sou amigo do político da região fico sem ter atendimento ou demora muito, sendo prejudicado. Isso não é atender de forma humanizada e igualitária. Isso é desrespeitar o cidadão, o princípio da impessoalidade e beneficiar somente aqueles que pertencem a determinado grupo que loteiam essas unidades. Por isso, muitos políticos guerreiam por esses cargos de chefia nas UPA’s, Policlínicas e PSF’s. Tudo para atender seus interesses políticos e pessoais”, afirmou o vereador.

Além da ingerência, a ex-secretária depôs acerca do possível caso de nepotismo envolvendo os irmãos do atual secretário-adjunto de Saúde, Milton Correa. Segundo Dúbia, os irmãos Rafael e Renata Correa estariam trabalhando nas Policlínicas do Planalto e Coxipó, no mesmo período que o Milton era secretário-adjunto, estando, assim, subordinados a mesma pasta do irmão.

“Esse depoimento é mais uma situação que comprovaria crime de improbidade administrativa. Estamos preocupados com tudo isso. Temos muita coisa já apurada, somados a esses depoimentos, tudo isso poderá levar ao indiciamento de todos os citados”, explicou Abilio.

A ex-secretária também relatou sobre a permuta de medicamento, como sendo outra prática ocorrida no sistema público de saúde de Cuiabá. Diferente do que declarou a ex-secretária Elizeth Araújo, em depoimento em outra oitiva. Segundo Elizeth, tal procedimento teria sido proibido durante sua gestão.

Dúbia também falou da falta de medicamentos na rede Municipal de Saúde, atribuindo a situação à “falta de competência e qualificação técnica”. O que para o presidente Abilio, estaria comprovada na gestão da Central de Distribuição de Medicamentos (CDMIC), no qual esteve sob administração de pessoas formadas em Turismo.

A ex-secretária ainda falou sobre roubo e furto de medicamentos, materiais e insumos, considerando que esses casos estão presentes nas. “Acho que é um problema que tem dentro do Pronto Socorro também”, disse Dúbia.

Diante de tudo que foi exposto, a ex-secretária elogiou o trabalho que os membros da CPI têm realizado. “Que isso (CPI) venha agregar, com realização de concurso público, com maior transparência, que os políticos fiquem longe, pois só acabam atrapalhando o gestor”, concluiu Dúbia, frisando sobre a dificuldade de gerir diante da pressão realizada por políticos em Cuiabá.

Reportagem
Dana Campos

Fotografia
Francinei Marans

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