O vereador Dilemário Alencar (Podemos) voltou a cobrar assinaturas dos colegas de parlamento para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sinal Vermelho, que busca investigar as irregularidades na contratação dos semáforos inteligentes, alvo da operação Sinal Vermelho.

Até o momento, o requerimento conta com apenas cinco assinaturas quando, na verdade, são necessárias nove assinaturas para a instalação da CPI na Câmara Municipal de Cuiabá.

Desta forma, a oposição precisa ainda da assinatura de mais quatro parlamentares para tornar a CPI uma realidade dentro da Câmara de Vereadorees de Cuiabá.

Assinaram o pedido de requerimento da CPI os vereadores Dilemário Alencar (Podemos), que é coautor do pedido, a autora Maysa Leão (Cidadania), Michelly Alencar (DEM), Coronel Pacolla (Cidadania), Rodrigo Arruda e Sá (Cidadania) e a autora Maysa Leão (Cidadania).

Quando compraram esses semáforos a promessa era de organizar o trânsito da cidade e criar ‘onda verde’. No entanto, eu comecei a observar R$ 15 milhões na compra, mas os semáforos não tinham se quer o temporizador

A Operação Sinal Vermelho, deflagrada no dia 5 de maio, pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), resultou no afastamento e bloqueio de bens do ex-secretário municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Antenor Figueiredo.

O contrato dos ‘semáforos inteligentes’ ocorreu em 2017, ao valor de R$ 15,4 milhões, porém, nunca chegou a funcionar conforme o previsto.

Na época, o município aderiu ao modelo que seria implantado em Aracaju (SE), mesmo que aqui as condições fossem totalmente diferentes, tanto de trânsito quanto de estrutura viária.

Dilemário, que é coautor do pedido de requerimento da CPI, pede mais celeridade na implantação para investigar o caso e dar uma resposta à sociedade.

“Ainda não conseguimos até agora as assinaturas necessárias para instalar a CPI, quero inclusive, aproveitar para cobrar dos vereadores (…) quando compraram esses semáforos a promessa era de organizar o trânsito da cidade e criar ‘onda verde’. No entanto, eu comecei a observar R$ 15 milhões na compra, mas os semáforos não tinham se quer o temporizador”, afirmou o vereador.

CPI dos Medicamentos

O parlamentar aproveitou para citar como forma de exemplo, a CPI dos Medicamentos, que busca apurar o gigantesco número de medicamentos com prazo de validade vencida, estocado no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC).

Os medicamentos foram encontrados após denúncias comprovadas pelos vereadores da oposição. Para Dilemário, se os colegas não tivessem fiscalizados, até então ninguém saberia da situação.

“Se não fosse os vereadores da oposição, até hoje a população não saberia desses medicamentos vencidos na prateleira da prefeitura. Após a nossa denúncia, os vereadores se ‘arvoraram’ e logo apresentaram essa CPI dos Medicamentos Vencidos e conseguiram rapidamente as assinaturas”, enfatizou o parlamentar.

Embora a denúncia tenha partido da oposição, quem acabou garantindo os principais cargos da CPI foram os vereadores da base do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

Por 10 votos a 5, a base conseguiu garantir a indicação do vereador Marcus Brito Júnior (PV) para a relatoria da CPI. Com a vitória dos governistas, a oposição ficou apenas como membro com o vereador Marcos Paccola (Cidadania). Já a presidência, comandada pelo vereador Lilo Pinheiro (PDT), autor do requerimento da CPI.

Entretanto, o resultado não agradou Dilemário, que temia uma ‘CPI 2 a 1’. “A CPI ficou 2 a 1, com dois vereadores extremamente governistas. Nós havíamos pedido para eles deixarem o Paccola ficar como relator, até por uma questão de justiça porque ele esteve lá na sindicância e fiscalização. Mas rejeitaram o nosso pedido e nós ficamos na CPI 2 a 1”, disse.