O vereador licenciado Diego Guimarães (Cidadania) acusou a base do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) de fazer uma manobra para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para apurar a questão dos medicamentos e insumos vencidos termine em “pizza”.

O questionamento do parlamentar é em razão da abertura da CPI ter sido proposta pelo vereador Lilo Pinheiro (PDT), que é da base do prefeito.

A denúncia, porém, foi feita pelos parlamentares da oposição, que flagraram centenas de remédios vencidos no Centro de Distribuição de Cuiabá, na última sexta-feira (23).

“Isso pode até parecer uma iniciativa para penalizar os responsáveis pela atrocidade que presenciamos na sexta-feira, mas não passa de uma manobra da base”, criticou o parlamentar.

“Os vereadores da base não foram responsáveis pela investigação, não tinham se manifestado até o momento sobre o assunto e agora resolvem apresentar a CPI?”, questionou.

Segundo Diego, tudo parece uma estratégia para garantir que os vereadores aliados ao prefeito possam conduzir a CPI e, assim, impedir a oposição de investigar os fatos.

“Você acha que, se aprovada e composta pelos vereadores da base aliada do prefeito, essa CPI terá algum resultado? Isso é inaceitável! Se a base conduzir, essa CPI certamente terminará em pizza”, criticou Diego.

Proposta de CPI

A CPI foi proposta quatro dias após Diego e os também vereadores de oposição Maysa Leão e tenente-coronel Marcos Paccola, todos do Cidadania, flagrarem centenas de produtos vencidos no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC).

Conforme o regimento da Câmara, após ser lida em plenário, a propositura é encaminhada para parecer da Procuradoria Legislativa.

Assim que aprovada, no prazo de 48 horas deve “ser publicada a resolução de sua constituição, especificando o fato a ser investigado e os nomes dos vereadores que a compõem”.

Investigação na Deccor

Um inquérito foi aberto pela Delegacia de Combate à Corrupção, da Polícia Civil, para apurar o assunto. A investigação será conduzida pelo delegado Eduardo Botelho, titular da unidade.

Ele já adiantou que deverá ouvir os respónsáveis pelo depósito e a secretária de Saúde de Cuiabá, Ozenira Félix.

Além disso, o caso também deve ser acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MPE).