O Ministério Público Estadual (MPMT) denunciou 31 pessoas alvo da operação Constantine, da Polícia Civil de Água Boa, pelos crimes de promoção, constituição, financiamento ou integração ao tráfico de drogas. Entre os que foram presos à época estão detentos, ‘gerentes’ do crime e responsáveis por aplicar ‘salves’ [sessões de espancamento a mando de facções criminosas].

As investigações sobre a atuação da facção iniciaram em 2019. Com apoio da Diretoria e Inteligência da Polícia Civil, a equipe da Delegacia de Água Boa (730 quilômetros de Cuiabá) chegou a uma organização criminosa composta por detentos reclusos em unidades prisionais de Mato Grosso, entre elas na penitenciária Major Zuzi, no município supracitado, além de diversas pessoas que estão em liberdade e se aproveitam do poder auferido pela facção para praticarem o crime de tráfico de drogas.

De acordo com informações coletadas nas investigações, a organização criminosa é estruturada e se caracteriza pela divisão de tarefas entre seus integrantes, sendo responsável por significativa parcela de crimes praticados na cidade.

O grupo se associou com a intenção de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza mediante a prática de crimes cujas penas são superiores a quatro anos, em especial o tráfico de drogas e associação, entre outros.

As investigações apuraram ainda que o núcleo da organização investigada controlava o tráfico de drogas em Água Boa, realizando o tabelamento de preços de drogas como maconha e cocaína e o controle de boa parte dos pontos de venda e comercialização de drogas, conhecidos como ‘bocas de fumo, biqueiras ou lojinhas’.

Líderes da organização criminosa, responsáveis por fazer o recolhimento dos valores destinados ao grupo, também foram identificados como ‘‘gerentes’’ ou ‘‘disciplinas’’ cuja função é fiscalizar, repreender e punir outros membros faccionados e moradores da região sob domínio e que violem as regras da facção criminosa, com a aplicação de punições vulgarmente conhecidas como “salves”.

O delegado regional, Valmon Pereira da Silva, ressaltou a importância da operação para a região, sendo que diversos dos investigados atuam de forma direta ou indireta em vários municípios do polo e a prisão da organização criminosa dificultará a expansão dos atos ilícitos nessas cidades.

“Em três meses, a Polícia Civil de Água Boa, contando com a Operação Vespeiro, já identificou e prendeu aproximadamente 40 integrantes de organização criminosa que atuava na região”, destacou o delegado Gutemberg de Lucena.