Rafael Martins/ O Bom da Notícia

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Hospital de Referência para tratamento de pessoas com covid-19 na Capital, volta a  enfrentar nova falta de insumos. A denúncia é feita por servidores do antigo pronto-socorro e também de unidades de pronto atendimento (UPA) que recebem pacientes que testaram positivo para o coronavírus. Um dos setores que sofre com a falta de material para trabalhar é o de banco de sangue. O fato é reforçado em uma comunicação interna (04/2021) do dia 17 de maio.

O documento frisa que a situação já foi comunicada em 15 de março, mas, 32 dias depois, ainda não havia solução. “Hoje, o referido setor se encontra sem tubos para coleta de amostras de sangue dos pacientes (…) sem ponteiras (…) para a realização dos testes pré transfusionais”, elenca o texto, que indica ainda a reutilização das ponteiras descartáveis. [veja lista de documentos no final da matéria]

“Estamos, inadequadamente, reutilizando-as”, frisa. O encaminhamento da Coordenação da Enfermagem solicita a compra do material em caráter de urgência. “Reitero que sem tais, torna-se impossível a liberação de bolsas de sangue para pacientes”, pontua o texto.

A mesma cobrança foi apresentada pela farmácia do hospital a coordenação e superintendência administrativa. Nos dias seguintes, 18 e 19, foram enviadas à Secretaria Municipal de Saúde novas CIs indicando o estoque zerado ou insuficiente de vários insumos, que vão desde material para curativo a medicações para os pacientes.

A fita microporosa, por exemplo, não tem em estoque, assim como as toucas descartáveis. Dentre os medicamentos necessários e que não constam mais na farmácia do hospital estão a heparina sódica e a enoxaparina, que atuam na prevenção da formação de trombos; metadona, um analgésico, entre outros.

Até mesmo a sonda nasoenteral continua em falta, como relatado em reportagem do dia 14 de abril. Para contornar o problema, a alimentação dos pacientes era feita com sondas ureterais improvisadas. Esse uso inapropriado pode acarretar em fístulas, ou seja, um canal patológico.

À época foi frisado que, no dia 5 de abril, foi encaminhada à Secretaria uma lista com 65 itens, entre medicamentos e insumos, necessários no atendimento semanal da unidade. Muitos desses elementos “são considerados imprescindíveis para a manutenção da vida dos paciente e segurança dos servidores, sendo que a falta dos mesmos pode ocasionar óbitos em diversos pacientes”, alertava o documento.

A falta de material foi enfrentada também nas unidades de Pronto Atendimento da Morada do Ouro e do Verdão.

O Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (Sindimed) reforça que essa situação é constante. Mensalmente os profissionais reclamam e a gestão faz a reposição do estoque do Hospital de Referência. O promotor de Justiça Alexandre Guedes também pontua o ciclo vicioso da falta dos produtos e afirma que a denúncia anterior, feita em abril, está sendo apurada. Também está sob investigação a falta de médicos visitadores na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O Tribunal de Contas do Estado vem realizando uma apuração paralela, iniciada no mês passado. Os trabalhos estão na fase final e não foram fornecidos mais detalhes do que já foi investigado até o momento. O Sindicato dos Profissionais da Enfermagem (Sinpen) e o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM) informaram que não receberam nenhuma formalização de denúncia sobre o problema. Contudo, caso haja a formalização, as irregularidades serão apuradas.

Entrevista na tevê

Também o vereador Dilemário Alencar(Podemos) reforçou a denúncia, ao apontar nesta última segunda-feira(24), no Programa de Meio Dia, da TV Vila Real, que teria recebido  documentos que comprovam a falta de 29 tipos de remédios e insumos no Hospital de Referência da Covid-19, que é o antigo Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá.

E que estaria, inclusive, encaminhando os documentos, com a denúncia, para a secretária de Saúde de Cuiabá, Ozenira Félix e ainda para os Ministerios Públicos – estadual e federal -, lembrando que a Prefeitura de Cuiabá estaria deixando faltar medicamentos apesar do enorme aporte financeiro recebido por Cuiabá, do governo federal, para o enfrentamento à pandemia na capital. “A falta destes medicamentos no pronto-socorro mostram o descaso da prefeitura com a nossa população”, ainda disse o parlamentar cuiabano que faz parte do grupo que faz oposiçãoao prefeito Emanuel Pinheiro(MDB), na Câmara.

Outro lado

A Secretaria Municipal de Saúde, em seu posicionamento, explica que a entrega de medicamentos e insumos ao Hospital Referência à Covid-19 ocorre periodicamente às terças e sextas-feiras.

A destinação é feita mediante entrega de relatório com o quantitativo necessário.

A Pasta alega que as solicitações encaminhadas pela unidade na semana passada não especificavam o quantitativo de cada item, o que foi questionado pela SMS na sexta-feira (21), que obteve retorno no final da tarde desta segunda-feira.

Entretanto, nas tabelas dos documentos aos quais a reportagem teve acesso tem a estimativa de quantitativo necessário para atender à demanda semanal. Todavia, a SMS afirma que realizará a entrega dos insumos solicitados.

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