Não existem problemas diplomáticos entre China e Brasil, afirma o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Queiroga disse que o entrave no envio de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da China ao Instituto Butantan é uma “questão contratual”.

O governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), havia dito que o problema é uma questão diplomática. Na segunda-feira (10/5), o gestor estadual afirmou que 10 mil litros dos ingredientes estão travados na China, à espera de autorização para o envio ao Brasil. Doria afirmou que o entrave é causado pelos ataques do governo federal.

Durante o evento no Rio de Janeiro, Queiroga disse esperar que o problema na importação de insumos seja regularizado, mas insistiu que não há embates diplomáticos entre os dois países.

“Eu me reuni duas ou três vezes com o embaixador [chinês], Yang Wanming, e não há nenhum problema diplomático do Brasil com a China. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) inclusive recebeu recentemente IFA proveniente da China. A questão do Butantan com a China é contratual e eu espero que o suprimento de IFA ocorra normalmente e a produção se regularize para que tenhamos a vacina Coronavac”, disse o gestor.

Queiroga afirmou que a China é um “parceiro comercial importante” e disse que o Brasil tem “relações muito boas com todos os países”.

Paralisação

Até o momento, ao menos 15 estados do Brasil já suspenderam a aplicação da primeira ou segunda dose da Coronavac por falta de vacina.

De acordo com o Butantan, até que a matéria-prima tenha autorização para ser exportada ao Brasil, a fábrica responsável pela produção da Coronavac deve assumir a fabricação da vacina da gripe.

O diretor do instituto, Bruno Covas, afirmou que 3 mil litros de IFA eram aguardados até este sábado (15/5), mas não há previsão de entrega do material.

Escassez

A Sinovac, empresa que produz o IFA, tem 10 mil litros de matéria-prima pronta para ser despachada para o Brasil, mas o governo chinês não autorizou o envio dessa remessa. O quantitativo é suficiente para produção de 18 milhões de doses da vacina.

Os atrasos no envio de insumo ficaram mais acentuados no fim de março. A última remessa esperada para aquele mês só chegou no dia 20 de abril. Desde então, o Butantan não recebeu mais material.