A Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Covid-19 é um vexame. Com intuito claro de tentar acusar o presidente Jair Bolsonaro de erros durante a pandemia, o relator Renan Calheiros tenta insistir na questão da hidroxicloroquina, como se o medicamento fosse culpado pelas mortes ocasionaras desde a pandemia.

Convocada, a doutora Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, pretende apresentar aos senadores da CPI da Pandemiapesquisas científicas que embasaram ações do governo federal no estímulo ao uso de ivermectina e hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19. A médica foi convocada como testemunha e será a oitava a depor na comissão do Senado que investiga possíveis omissões do governo federal durante a pandemia.

A preparação para a oitiva reúne artigos, estudos clínicos e pesquisas feitas fora do Brasil sobre a eficácia dos medicamentos nas fases iniciais da doença. A ideia é insistir, diante dos parlamentares, que há evidências científicas de que as substâncias poderiam diminuir as chances de internação e morte por Covid-19.

Um estudo realizado em 2020 por membros do Sistema de Saúde Henry Ford, em Detroit, Michigan, apresentou resultados positivos acerca do uso de hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. A pesquisa mostrou que o grupo que utilizou a droga teve a taxa de mortalidade reduzida pela metade. O método do estudo, no entanto, foi alvo de críticas nos Estados Unidos.

A equipe analisou o quadro clínico de 2.541 pacientes. O Dr. Marcus Zervos, chefe da divisão de doenças infecciosas do Sistema de Saúde Henry Ford, revelou que 26% do grupo que não recebeu o tratamento faleceu. Já o grupo que utilizou a droga teve taxa de mortalidade de 13%. Foram analisados todos os pacientes tratados no sistema hospitalar desde o primeiro, ainda em março.

No caso da Ivermectina, os estudos tratam ainda da administração de doses de forma profilática para a redução de mortalidade. Durante o depoimento, a secretária deve ressaltar, porém, que os medicamentos não são recomendados em doses altas e nem na fase avançada da doença. E que devem ser usados com orientação médica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já concluiu que a hidroxicloroquina não funciona no tratamento contra a Covid-19 e alertou ainda que o uso pode causar efeitos adversos. Em março deste ano, um grupo de pesquisadores da organização recomendou que os estudos dos medicamentos como meio de prevenção sejam encerrados.