Um grupo de seis lideranças políticas, de diferentes partidos, se reuniram na noite desta quarta-feira (31) e formularam um “manifesto pela consciência democrática”. O coletivo afirmou que “a democracia brasileira é ameaçada” três décadas depois da promulgação da Constituição de 1988, sem especificarem a origem desta ameaça.

Os seis signatários são: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), que propôs o movimento, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PDT), o governador de São Paulo João Doria (PSDB), o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB), o empresário João Amoêdo (Novo) e o apresentador Luciano Huck, hoje sem partido.

Os políticos não citam uma possível candidatura para 2022, apesar de todos serem críticos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e nomes possivelmente cotados para concorrer ao pleito. Ciro já disputou a Presidência três vezes, a última em 2018, quando Amoêdo também concorreu.

Em entrevista à colunista da CNN Renata Agostini, o governador Eduardo Leite disse que a reunião em torno do manifesto pode resultar em uma candidatura única a presidente em 2022.

“Sem duvida nenhuma é um passo importante na aproximação entre esses atores. O entendimento de possiveis candidaturas do centro passa pelo entendimento de principios, dos valores que nos unem e passa depois para discussao de projetos de agenda para o pais, podendo culminar na reuniao, sem duvida nenhuma, em torno de uma candidatura especifica. por que nao?
essa é a intenção e vejo genuina disposição de varios desses nomes para que isso aconteça”, disse Leite à CNN.

“A Democracia é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar. Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da Democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, o intimidamento, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado”, afirmam os seis.

Ligados a movimentos políticos distintos, os seis evocam o movimento das Diretas Já, que protestou em favor de eleições diretas para a Presidência da República durante a transição da ditadura militar para o regime democrático. Ao final, a emenda da eleição direta foi rejeitada, mas um dos líderes do movimento, Tancredo Neves, foi eleito indiretamente como presidente.

“A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores”, prossegue a nota.

O comunicado é divulgado em 31 de março, data em que se completam 57 anos do golpe militar de 1964. A deposição do presidente João Goulart, que deu início ao regime que duraria até 1985, foi celebrada pelo novo ministro da Defesa, o general da reserva Walter Braga Netto. Em sua Ordem do Dia, Braga Netto pregou a análise do fato de fora distanciada da vida política cotidiana, argumentando que a derrubada de Jango ocorreu em um contexto de Guerra Fria e enfrentamento ao comunismo.

MANIFESTO PELA CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA

Muitos brasileiros foram às ruas e lutaram pela reconquista da Democracia na década de 1980. O movimento “Diretas Já”, uniu diferentes forças políticas no mesmo palanque, possibilitou a eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República, a volta das eleições diretas para o Executivo e o Legislativo e promulgação da Constituição Cidadã de 1988. Três décadas depois, a Democracia brasileira é ameaçada.

A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores.

Não há Democracia sem Constituição. Não há liberdade sem justiça. Não há igualdade sem respeito. Não há prosperidade sem solidariedade.

A Democracia é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar. Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da Democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, o intimidamento, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado.
Exemplos não faltam para nos mostrar que o autoritarismo pode emergir das sombras, sempre que as sociedades se descuidam e silenciam na defesa dos valores democráticos.

Homens e mulheres desse país que apreciam a LIBERDADE, sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, devem estar unidos pela defesa da CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA. Vamos defender o Brasil.

CIRO GOMES,
EDUARDO LEITE, 
JOÃO AMOEDO, 
JOÃO DORIA,    
LUIZ HENRIQUE MANDETTA, 
LUCIANO HUCK.