Contendo 12 itens, a cesta básica em Cuiabá custa R$ 603,43. A cotação leva em consideração os índices de preço no varejo medidos pelo Instituto Mato-grossense de Economia e Agropecuária (Imea), em fevereiro. Entre as Capitais, esse é um dos valores mais caros no Brasil.

Pesquisar preço é uma das alternativas encontradas pela técnica em Enfermagem Silbene Oliveira. Por vezes, a compra é “picada” e os produtos são adquiridos em mercados diferentes.

Na quarta-feira (17), ela e a filha percorreram quase 10 km para economizar. O itinerário conta a saída de casa, no Bairro Ribeirão do Lipa, até um hipermercado próximo à Avenida Fernando Corrêa.

“É porque eu sou pobre”, diz ela, usando tom de brincadeira para amenizar a frase. “Por isso, olho de um por um antes de comprar. Se precisar, compro um pouco aqui, outro ali”, explica.

Mesmo com a pesquisa de preço, elas passaram a gastar R$ 600 com a compra do mês. Antes, os mesmos produtos custavam R$ 400.

Quem vive com menos

Em Mato Grosso, quase 30% da população vive com aproximadamente R$ 400 por mês; são famílias que se enquadram na situação de pobreza. Já quem vive com menos de R$ 140 entra na linha da extrema pobreza.

Na terça-feira (17), o governador Mauro Mendes (DEM) anunciou um auxílio de R$ 150 por um período de três meses para 100 mil famílias que têm renda de aproximadamente R$ 89 mensais.

Com esse valor, as famílias de Cuiabá só poderiam comprar 1/4 da cesta básica. Em outras palavras, a cesta com os alimentos na Capital custa quatro vezes mais que o auxílio proposto pelo governo.

Ao apresentar o projeto, o governador se defendeu de futuras críticas quanto ao valor afirmando que “é pouco para quem tem e muito para quem não tem nada”. Oposição, o PT quer que o valor seja de um salário mínimo, enquanto durar a situação de calamidade.

Durante as compras, Silbene e a filha julgam o valor o auxílio com uma pregunta: “será que o governador consegue passar um mês com R$ 150?”.

Alta nos alimentos

No mesmo hipermercado em que a reportagem do LIVRE encontrou Silbene, os clientes reclamaram da alta no preço dos alimentos. E com razão. No ano passado, a alta de 14,09% nos valores de alimentos e bebidas pesou no bolso dos brasileiros, segundo o IBGE.

Ana Luiza e Marcelo foram comprar “umas coisas que faltaram”. É assim que eles fazem compras agora.

Em média, o casal gastava R$ 700 com as compra do mês para a família de cinco pessoas. Hoje, com o aumento no preço dos alimentos, eles precisam desembolsar R$ 1 mil.

“Os preços estão um absurdo. Estávamos conversando sobre isso ontem. Para passar o mês, temos que riscar alguns itens da lista e comprar o básico do básico”, explicam.

Conferindo a lista, a dona de casa Rosana Alves também dribla os preços altos. Ela diz que troca os itens mais caros por opções mais baratas: “troca a carne por ovo, uma linguiça calabresa, um refogado”, conta.

De acordo com o IBGE, esse é o maior aumento desde 2002 e foi provocado, entre outros fatores, pela demanda dos produtos, a alta do dólar e dos preços das commodities no mercado internacional.

Com essas variáveis, na gôndola alguns produtos tiveram alta. Entre eles:  óleo de soja (103,79%), arroz (76,01%), leite longa vida (26,93%), frutas (25,40%), carnes (17,97%), a batata-inglesa (67,27%) e o tomate (52,76%).