(Foto: Gustavo Duarte/Prefeitura de Cuiabá)

“Cuidado com andor que o santo é de barro”. Esta expressão cai como uma luva nas discussões sobre Centro Histórico de Cuiabá. Aqui, não só o santo, como as igrejas e casas são feitas de barro, o que traz ao patrimônio histórico uma extrema vulnerabilidade à umidade vinda das chuvas ou de vazamentos.

Uma fragilidade que por anos foi desconsiderada pelo poder público e cujos efeitos foram se acumulando, até que, atualmente, uma coleção de casarões se perderam, outros tantos estão comprometidos e o restante luta para sobreviver a modernidade.

Recentemente, três casos ilustraram os jornais. O do casarão da rua Campo Grande, que chegou a ter destroços espalhados pela rua e das igrejas da Nossa Senhora Boa Morte e Nossa Senhora dos Passos.

Proprietários reclama do descaso do poder público e usam a fachada dos imóveis como protesto (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Mas afinal de contas, como chegamos a este ponto?

Na opinião do historiador Suelme Fernandes, a falta de atenção do poder público uniu-se à falta de consciência histórica dos cidadãos que, por vezes, “parecem se envergonhar da própria história”, afirma.

Ele explica que Cuiabá é a única Capital do Centro Oeste onde a região histórica foi totalmente mantida. Brasília foi construída, assim como Goiânia e Campo Grande, ambas planejadas.

“Isso criou um sentimento de busca pela modernidade urbana e negação diante da estrutura antiga, deixando de se viver a historicidade dos espaços”, avalia o historiador.

Ele acredita que estamos vivendo o pior momento do patrimônio histórico cuiabano. Além da falta de uma política realmente efetiva para se combater a deterioração da área, o esvaziamento imobiliário, por conta das novas formas de economia – internet e delivery -, bem como a pandemia, faz com que a população deixe de vivenciar o centro histórico.

Um exemplo claro deste cenário está nos contextos para a revitalização da Igreja do Bom Despacho – Seminário – e Rosário – São Benedito. Ambas conquistaram uma reforma geral no começo dos anos de 2000, após uma forte mobilização popular. Atualmente, a Igreja Nossa Senhora dos Passos e Boa Morte estão requerendo a mesma atenção, mas não se vê a mesma preocupação.