O primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, o deputado democrata Eduardo Botelho assegurou – em conversa com jornalistas nesta última quarta-feira(26) -, nos corredores da Assembleia, que estaria normal a situação de seu colega de Casa e correligionário de sigla, o deputado Dilmar Dal Bosco, quanto a sua permanência como líder do governo, no parlamento estadual.

Ao informar que o governador Mauro Mendes(do mesmo partido) não teria nenhuma intenção de troca-lo da condição de seu líder, usando como argumento o ‘princípio da presunção da inocência’ [que garante ao acusado que ele seja considerado inocente até a última decisão da Justiça].

Dilmar me disse que tem todas as provas e que assim, claro, vai provar sua inocência. Então nós estamos aí acreditando nele. Desta forma como nós, do democratas, o governador não não viu a necessidade de afasta-lo da liderança.
No dia 14 de maio, Dilmar Dal Bosco, junto com o ex-deputado Pedro Satélite (PSD) e uma assessora parlamentar foram alvos da Operação Rota Final, em sua 3ª fase, realizada pelo Ministério Público de Mato Grosso, que apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude a licitação do setor de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros de Mato Grosso.

Ao apontar o direito que todos têm do ‘benefício da dúvida’, Botelho evitou, contudo, afirmar que estaria realizando a defesa do colega de parlamento e de sigla,. Mas que até que se prove ao contrário, ele optou em acreditar em Dilmar que afirmou, categoricamente, que vai provar sua inocência. E que ele[Botelho], em particular, não teria visto o processo. Assim, por enquanto, não vê nenhuma necessidade de destitui-lo da liderança e muito menos em não acreditar no colega de Casa.

“Dilmar me disse que tem todas as provas e que assim, claro, vai provar sua inocência. Então nós estamos aí acreditando nele. Desta forma como nós, do democratas, o governador não não viu a necessidade de afasta-lo da liderança”.

Botelho ainda apontou – como exemplo – vários políticos em Mato Grosso e no Congresso Nacional -, que foram vítimas destes tipos de acusações e que, mais lá na frente, puderam provar sua inocência. “Denúncia tem toda hora, então agora cabe provar. Enquanto isto pelo princípio da presunção da inocência, ele só será culpado, de fato, após ser julgado. Então até que se prove o contrário, Dilmar tem o apoio do partido e do governdor. E a conversa que temos mantido internamente na legenda e com o governador é neste sentido. Agora, se lá na frente ele for considerado culpado, vamos tomar nossas providências”

Admitindo, porém, que Dilmar não deveria evitar falar sobre o caso com os jornalistas, pois a imprensa é o veículo certo para levar à população a informação sobre os dois lados. Já que até agora só se tem a do MPE.

“Agora nós temos quer ter a coragem de vir aqui e falar com a imprensa, para que todos tomem conhecimento sobre o assunto. Pois são vocês que levam a informação. Quanto a operação do Ministério Público, esta é a tarefa dele, faz parte. Como faz parte do denunciado provar sua inocência. Quantos aí já não foram denunciados, e acabaram provando sua inocência”.

O deputado progressista, Paulo Araújo, também fez coro ao democrata, ao apontar o brilhante trabalho que o colega de Casa realiza em favor do governo do Estado. “Entendemos que não é fácil ser líder do governo, fazer essa ponte, mas o deputado Dilmar faz um trabalho brilhante aqui dentro”.

Apesar da defesa de alguns colegas, não tem sido fácil para o deputado democrata e vice-líder da Mesa Diretora manter sua liderança. Principalmente, depois que o parlamentar pesselista, Ulysses Moraes, falou em plenário que seu colega Wilson Santos (PSDB), assumiria a função de líder do governo, na Legislativo estadual.

A declaração de Ulysses não deixou somente Dilmar em situação ‘pouco confortável’, mas causou burburinho entre os colegas, muitos deles que já até demonstraram o seu desejo de não ter o tucano como líder.

Entenda o caso

No dia 14 de maio, o Ministério Público de Mato Grosso deflagrou a terceira fase da Operação Rota Final, ligando Dilmar Dal Bosco (DEM), à crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude a licitação do setor de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros de Mato Grosso. A licitação é promovida pela Secretaria de Infraestrutura do Estado de Mato Grosso e Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados

Na época, o deputado democrata chegou a confirmar que foi alvo de um mandado de busca e apreensão na sua residência, em Sinop. E que não entendia o motivo do mandado, uma vez que teria prestado depoimento no processo. Ele teve apreensão de bens e documentos e negou que é réu no processo que apura a fraude.