Os deputados de oposição Lúdio Cabral (PT) e Sílvio Fávero (PSL) lamentaram o resultado da votação na sessão desta quarta-feira (10), que manteve o veto do governador Mauro Mendes (DEM) ao projeto que ampliava a faixa de isenção de contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas do Estado.

O Projeto de Lei Complementar 36/2020, de autoria do parlamentar petista, previa a isenção da cobrança de alíquota de 14% de contribuição previdenciária aos aposentados e pensionistas que recebem até o teto do INSS, que é de R$ 6,4 mil.

Atualmente, têm esse valor descontado os servidores inativos que recebem a partir de R$ 3 mil.

Sentimento de decepção, de tristeza. Vontade de abandonar esse Parlamento. Foi uma covardia. Os votos estavam contados, os deputados se posicionaram

Autor do PLC, Lúdio disse que deixava o plenário “decepcionado e triste” e apontou “traição” por parte dos colegas parlamentares que, segundo ele, teriam se aproveitado do fato da votação ser secreta para trocar o voto manifestado anteriormente sobre a matéria.

“A Assembleia foi covarde, porque até o momento da votação eu monitorei deputado por deputado e nós tínhamos, com segurança, no mínimo, 18 votos para aprovar, para derrubar o voto. Houve traição”, disse.

O deputado disse que foi surpreendido com o resultado da votação e acusou o Legislativo de “ter muito lobo em pele de cordeiro”.

“Sentimento de decepção, de tristeza. Vontade de abandonar esse Parlamento. Foi uma covardia. Os votos estavam contados, os deputados se posicionaram”, lamentou.

De acordo com o petista, a expectativa de vitória de sua parte existia, principalmente, diante da aprovação que o PLC teve antes do veto do governador, quando recebeu voto favorável de todos os deputados.

“Um mês depois faz essa vergonha que foi essa votação. Infelizmente, a AL deu mais uma demonstração de submissão às vontades do governador”, afirmou.

“Sem democracia”

Momentos após o fim da sessão, Sílvio Fávero, que foi relator do veto na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e deu parecer favorável à derrubada da decisão do Governo, disse que estava triste com o resultado da votação secreta do plenário.

“Complicado. Mais uma vez, o plenário teve a oportunidade de olhar para a população, e não olhou. Fico triste. Estudei e analisei bem para fazer o relatório. Fui muito pressionado, mas não mudei meu posicionamento. Mas, infelizmente, a maioria decidiu pela manutenção do veto”, disse.

“Mais uma vez o Governo sai fortalecido, mostrando que essa casa não é uma democracia”, completou.

LISLAINE DOS ANJOS (midianews.com.br)