O deputado estadual pesselista, Gilberto Cattani, voltou a ganhar a atenção da mídia nesta última quarta-feira(09), ao propor o título de cidadã mato-grossense, à Patrícia Abravanel, apresentadora de tevê e filha do empresário Silvio Santos. Sob o argumento que Abravanel vem contribuindo com a discussão sobre homofobia em rede nacional.

No dia 1º de junho Patrícia Abravanel foi o alvo de um verdadeiro linchamento nas redes sociais, no primeiro dia do mês do orgulho LGBTQ+, ao tentar defender que é ‘preciso ter paciência e respeito com quem não entende e não aceita orientações que não sejam heterossexuais’. Abravanel chegou a desdenhar da sigla da diversidade sexual. “Se os ‘LGDBTYH’, não sei, querem respeito, precisam ser mais compreensivos com aqueles que hoje ainda não entendem direito e estão se abrindo para isso. É difícil educar filhos ao falar sobre isso, sabia?”

Patrícia Abravanel foi o alvo de um verdadeiro linchamento nas redes sociais, no primeiro dia do mês do orgulho LGBTQ+, ao tentar defender que é ‘preciso ter paciência e respeito com quem não entende e não aceita orientações que não sejam heterossexuais.

Já o deputado bolsonarista em menos de quatro meses na Assembleia Legislativa, após substituir o deputado Sílvio Fávero(do mesmo partido), na Casa de Leis, com sua morte em decorrência de complicações pela Covid-19, ganhou espaço midiático por assegurar posicionamentos segregacionistas. Em particular, pelo tom jocoso ao se referir aos homossexuais, quanto à sua orientação sexual. No dia 19 de maio, Cattani afirmou em postagem nas suas redes sociais que ‘ser homofóbico é uma escolha, ser gay também’.

A proposição do bolsonarista, de dar um titulo à Abravanel, ainda deve passar por uma comissão e ir à aprovação no plenário. Cattani foi empossado no dia 18 de março pelo presidente da Assembleia, Max Russi(PSB). Ele era o primeiro suplente da legenda, obtendo 11.629 votos na eleição de 2018.

Entenda o caso

Por meio das suas redes sociais Cattani fez uma postagem dois dias depois do Dia Internacional da Luta contra a LGBTfobia, afirmado que ‘ser homofóbico é uma escolha, ser gay também’.

Poucos dias mais tarde, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso, Leonardo Campos entregou um pedido de investigação contra o parlamentar pesselista, sob o argumento de crime de homofobia, ao Ministério Público estadual. Ao lembrar que um ‘agente público não pode incitar a violência. Aliás, tem como obrigação preservar a lei’.

Campos formalizou, igualmente, requerimento na Assembleia Legislativa, pedindo a instauração de procedimento junto à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, para apuração da conduta do deputado pesselista, por indícios de crime de homofobia. O Procedimento foi entregue ao deputado Max Russi(PSB), presidente da Mesa Diretora, e foi encaminhado à Comissão de Ética, já que desde 2019, o Supremo Tribunal Federal tornou a homofobia como crime.

Na época, o presidente da OAB revelou que uma autoridade constituída não tinha o direito de incitar este tipo de crime, ao contrário, deveria preservar a Lei. Neste mesmo período, várias entidades se manifestaram por meio de nota de repúdio contra o posicionamento do parlamentar.

Já Cattani – assustado com o resultado da postagem – usou o plenário da Assembleia, primeiro para atacar a imprensa, sindicatos e ONGs que realizam a defesa destes coletivos. Depois no dia 1º de junho, o parlamentar pesselista voltou seu ataque, agora ao presidente da OAB, Leonardo Campos, que assinou o pedido de instauração da investigação contra ele.

Sem citar o nome de Campos, Cattani reclamou de estar sendo taxado de homofóbico em todos os cantos do estado. Contudo, mesmo que estivesse sendo acusado de condutas reprováveis, ele não teria em seu currículo, o crime de ‘violência doméstica’, em referência, possivelmente, à Campos, acusado de entrar em vias de fato contra a ex-mulher Luciana Póvoas.

“Repudio a violência, sou um homem pacífico. Repudio, principalmente, a violência contra a mulher. Muitas vezes as pessoas nos acusam por aquilo que são. A mulher, principalmente a sua esposa, nunca pode ser agredida. Muitas vezes as pessoas que nos acusam fazem coisas que ficamos estarrecidos. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher e nunca a agredi, nem fui preso por agressão. Então, defendo que todo ser humano é igual e deve estar livre da violência”, disparou.

Carta de Repúdio

Na época da postagem assinaram uma ‘carta de repúdio’ a Cattani o Conselho Municipal de Atençao à Diversidade Sexual de Cuiabá (CMADSC); Grupo Livre-Mente; Conselho da Juventude (Conjuve); União da Juventude Socialista (UJS/MT); União Nacional Dos Estudantes (UNE); Coletivo Maes pela Divesidade – MT; e Levante Popular da Juventude- MT.

Na carta, os coletivos lembram que no Brasil, a homofobia é crime, e que a homossexualidade não é crime e tampouco, doença. “Cabe lembrar ao referido deputado que dia 17 de maio, comemoramos, o dia internacional de luta, onde a Organização Mundial de Saúde (OMS), retirou o a homossexualidade do rol de doenças, a despatologizaçao, assim como a heterossexualidade não é doença e tão pouco opção, a homossexualidade também não é”.