O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, afirmou em entrevista a UOL nesta sexta-feira (21/05) que o Brasil não está aproveitando as supostas oportunidades de negócios com a China. O representante chinês ainda insultou os brasileiros, descrevendo como “não patriotas” aqueles que se opõem ao avanço da presença chinesa em setores estratégicos brasileiros, comprometendo a nossa soberania. Informações do UOL.

Para Charles Tang, que colocou-se na posição de ensinar ao brasileiro o que é ser patriota ou não, os verdadeiros patriotas seriam os brasileiros que concordam com a ingerência chinesa em assuntos internos brasileiros e que não se opõem ao visível processo de transformação do nosso país em uma colônia agrícola e de recursos naturais para a metrópole representada pela ditadura comunista chinesa.

Charles Tang ainda aponta que o Brasil deveria dar prioridade para a China em todas as questões internacionais relevantes, uma vez que a ditadura comunista chinesa é o país que mais importa produtos brasileiros. Ou seja, no entender de Charles Tang, a diplomacia brasileira deveria guiar-se unicamente por um critério econômico imediatista, pouco importando se no outro lado da “relação comercial” existe uma ditadura que persegue cristãos e mantém minorias em campos de concentração.

O representante chinês ainda fez uma ameaça indireta ao nosso país, ao afirmar que o “Brasil precisa da China da mesma forma que a Austrália precisa do mercado chinês”, sugerindo com isso uma possível retaliação geopolítica chinesa contra o Brasil, se os interesses chineses não forem atendidos, nos mesmos moldes que a China está ameaçando retaliar a Austrália após aquele país ter começado a impor limites ao imperialismo chinês.

Charles Tang ainda fez o uso banalizado da expressão “nações não têm amigos, têm interesses”, atribuída a John Foster Dulles, que foi Secretário de Estado norte-americano nos anos cinquenta, dando a ela o significado de que a diplomacia de um país deveria pautar-se unicamente pelos interesses econômicos imediatos, e não por um conjunto de valores e princípios que formam um nação.

A entrevista de Charles Tang reflete a mentalidade imperialista e neocolonialista que baliza as relações da ditadura comunista chinesa com os países que, como o Brasil, cometem o erro de acreditar que qualquer relação com um regime de ditadura comunista e genocida, como é o regime chinês, possa ser vista com naturalidade como se fosse uma parceria comercial comum.

Charles Tang não é um burocrata menor no esquema de poder do Partido Comunista Chinês. Ele é membro do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em São Paulo, e também integrante do World Policy Institute, em Nova York, além de ser presidente da Câmara de Comércio Internacional de Pequim e integrante de conselhos de governos regionais chineses, como de Wuhan, Jilin City e da província de Jiangxi.