Um dia depois de ser anunciado o aumento do preço da gasolina e diesel nas refinarias da Petrobras, o valor dos combustíveis já começou a subir nas bombas de Cuiabá. Com a escalada dos preços, o litro do etanol está custando R$ 4,20 e a gasolina R$ 5,70. Aumentos de 0,40 no etanol e 0,20 na gasolina.

Alta que, segundo o técnico de instalação de internet, Alexsandro Rocha, está além do normal. “Do mês passado para cá, uma vez por semana aumentou o preço do combustível. Pra gente que depende do carro pra trabalhar, está difícil”.

Alexsandro diz que não sabe o que tem causado o aumento do combustível, mas comenta que a cada dia que passa, os impostos ficam mais caros. Ainda comenta que o governo federal tirou o imposto sobre o diesel, mas questiona: e quem usa o etanol e a gasolina?

“O certo seria baixar o imposto geral, para todo mundo. Favorece um lado e prejudica o outro? Porque o que tirou do diesel provavelmente está sendo cobrado agora na gasolina.”

O técnico comenta que chega a rodar 200km por dia e que há amigos que estão deixando de trabalhar por não conseguir fazer instalações e abastecer o carro. “A cada dois dias tem que encher o tanque do carro”, explica.

Ainda adverte que a população precisa tomar consciência e cobrar o poder público. “O petróleo é tirado aqui do Brasil. Porque a gente paga mais caro do que eles exportam? Se você for olhar ali na Bolívia, o combustível é bem mais barato. É a gente que manda pra eles e eles vendem bem mais barato do que o nosso. Não dá pra entender.”

Para ele, a solução está em trocar os políticos. “Não votar no mesmo que já está lá, porque não está fazendo nada. Você tem que procurar alguém que não entrou ainda, pra ver se faz alguma coisa”, finaliza.

O jardineiro Jairo Orlando comenta que a situação tem ficado cada vez mais difícil. As máquinas que utiliza no trabalho funcionam com gasolina e essa alta também tem interferido no custo de trabalho.

“O salário mínimo não subiu nada e as coisas só aumentam, aumentam, aí você fica descontrolado. Daqui uns dias vamos trabalhar só pra comprar o feijão, o arroz e, muito mal, a carne. É um absurdo. O brasileiro vai ficar daqui um tempo igual a Venezuela, padecendo. Vai ter que sair para outros países para conseguir alguma coisa”, comenta.

Ele atribui o aumento do combustível à falta de organização do governo, já que o álcool é produzido no país. Ele reclama que o álcool acompanha o preço do dólar e que somos obrigados acompanhar a alta dele também.

“Daqui uns dias a minoria vai ter que parar de comer um pouco, não vai ter solução. O brasileiro vai trabalhar só pra comer mesmo. Só para a classe média e rica que o impacto é menor no bolso. Para nós, que somos menores, que trabalhamos para sobreviver, o impacto é muito alto. É uma falta de consideração com o cidadão brasileiro. É um absurdo.”